O Entrudanças é a face familiar do Andanças, o irmão pequeno ou o brinquedo de madeira entre brinquedos eléctricos. Numa altura do ano em que a chuva e o frio deixam as multidões aconchegadas em casa, numa pequena aldeia - Entradas - no Alentejo a cultura tradicional forma um encontro cheio de sabor e aprendizagem. Também aqui se aprendem as danças e a música, se partilha o sorriso e descobrem novos saberes (e sabores), sempre com o sotaque do sul por companheiro. Descobre-se a planicie ao mesmo tempo que se conhece um pouco mais o sorriso que nos acompanhou na última dança.
Num espaço aconchegante e quente, nasce o dia-a-dia de melodia, aproveitando a desculpa do carnaval. Este, o entrudo, é talvez uma celebração do ínicio do fim do Inverno. Queremos que o Entrudanças seja o passo para um verão quente de dança?
Fica o texto oficial e o programa.
Frio, vento, chuva... estão reunidas as condições ideais para sair de casa!
Está aí mais uma edição do Festival Entrudanças: a vila de Entradas, Castro Verde, recebe músicos, monitores de dança, artesãos e pessoas de vários sítios do globo para festejar o Entrudo.
O Entrudanças realiza-se em plena planície alentejana uma pacata vila do concelho de Castro Verde – Entradas. Durante três dias entre casas caiadas, rebanhos de ovelha, oliveiras e muita agitação a vila torna-se um local privilegiado de encontro de músicos e monitores de vários pontos do globo: todo o Portugal, Galiza, Bélgica, Cabo Verde, Turquia...
O Entrudanças não se resume a três dias de festa e trocas de experiências, mas sim a muita aprendizagem e envolvimento comunitário.
Nesta edição, o Tema do Festival é o Entrouxo, tradição de todo o Baixo Alentejo, e no primeiro dia do Entrudanças, a 13 de Feveiro, é preciso ver os “Entrouxos de Hoje” saírem à rua numa recriação desta tradição pelas Escolas EB1 de Entradas, Casével e São Marcos da Atabueira, inseridas no projecto Pré-Entrudanças.
O programa do Festival tem como base o aprender e trocar experiências durante o dia e à noite, quer-se muita animação e dança nos bailes.
Nesta edição destacamos três momentos do festival: o Encontro Mediterrânico, o lançamento do álbum do grupo "No Mazurka Band" e ainda a apresentação de uma edição escrita, audio e video para crianças "Cardápio de Danças – Danças do Mundo", pela Pédexumbo.
O Entrudanças é organizado pela Associação PédeXumbo em parceria com a Câmara Municipal de Castro Verde e Junta de Freguesia de Entradas.
Pois é, está mesmo quase a seguir para a forno, por isso temos a certeza que dia 14 estão cá fora umas centenas de CD's, ainda quentinhos das queimaduras implacáveis que vão gravar numa bolacha sintética sons acústicos de instrumentos muito nossos (e alguns adoptados): viola campaniça, flauta de três furos, gaita galega, rauchpfeifen, tamboril, timbalão, bombo e caixa. E claro, como não podia deixar de ser, tudo com vozes à bruta. As composições modais são uma constante e os arranjos trazem ao de cima almas irrequietas e mentes inconformistas.
Qualquer semelhança com qualquer outra coisa é pura coincidência: a sonoridade de No Mazurka Band é única, para o melhor e para o pior, não deixando ninguém indiferente (claro que vamos ter mais críticas construtivas que agradecimentos efusivos). Os instrumentos, pouco temperados e a roçar a desafinação, expressam a nossa máxima que assumimos sem preconceito: "No rules, no harmony". Uma nova ordem surge das cinzas do tonalismo, e a ditatura do Sol-e-Dó sucumbe ao ímpeto revolucionário de um modalismo emergente. Atrevemo-nos a reinventar danças seculares como o Vira, o Malhão, o Passeado, o Dois Passos e o Corridinho. E claro, tirámos do baú as brincadeiras onde os nossos avós se conheceram e enamoraram. Porque o Folk vivo é um Folk contemporáneo, vibrante, actual a reinventar-se constantemente. E porque o Folk de identidade é a melhor forma de festejar o que nos faz ser diferentes. Por isto tudo e porque sim, apareçam no Entrudanças, para dar um pézinho de dança e brincar à roda ao som destes instrumentos improváveis. Vão ver que não dói nada...
O manifesto
A-do-Baile, o Manifesto, diz que a regionalização da cultura é, em grande medida, uma invenção dos anos 40; suspeita que há bailes e brincadeiras ancestrais (Chula, Vira, Cana Verde, Malhão, Fado, Marcha) que remontam pelo menos a meados do século XIX e que estavam espalhados por todo o país; desconfia que as danças oitocentistas (Mazurka, Polka, Walsa, Scottish e muitas outras entretanto perdidas) se popularizaram e vulgarizaram no final do século XIX e deram mais tarde origem ao Corridinho, à moda de Dois Passos, ao Picadinho ou integraram outras danças, como é o caso do Vira valseado ou as Saias, onde a Valsa e a Mazurka são muito mais puladas que nas versões importadas; intui que outras invasões existiram, como é prova disso a existência de Fox-Trot, Tango, Baião, Rumbas e Maxixa no repertório dos anos 60; assinala que mais do que uma regionalização, houve vagas de danças que cobriram o país, e que o que hoje observamos é o resultado da seleção popular dessas mesmas danças; acrescenta que nos locais mais remotos de Portugal, onde até há pouco tempo as montanhas eram obstáculos quase intransponíveis, a vaga oitocentista pouco ou nada se instalou, ao contrário do centro e sul de Portugal onde se estabeleceu e "expulsou" as danças ancestrais (mas ainda hoje há Canas verdes e Viras que "resistem" nestas regiões); e remata que, de Portugal, outras vagas partiram para Cabo Verde (como as mazurcas e as contradanças) e para o Brasil (com o forró a ter origem direta nos danças oitocentistas).
Em Podence, nos dias de Carnaval, os Caretos surgem em magotes, de todos os sítios, percorrendo a aldeia em correrias desenfreadas, num clima fantástico e fascinante, pleno de sedução e mistério. Ninguém lhes consegue ficar indiferente, aqueles que não se vestirem de Careto abrem as suas adegas aos passantes. As crianças de sexo masculino, os Facanitos perseguem os Caretos tentando imitá-los, as raparigas solteiras, são o principal alvo dos mascarados, admiram-nos das janelas ou varandas das suas casas, com um certo receio de que o entusiasmo dos Caretos os leve a trepar para as poderem chocalhar.
Dia 14 de Fevereiro - Domingo Gordo
9h00 - Batida ao Javali. 10h00 - Barraquinhas, Mostra e Venda de Produtos Regionais 10h00 - Passeio de Burros – “Do Careto ao Azibo”. 11h00 - Inauguração da Exposição de Fotografia
14h30 - Leilão Chocalheiro. 15h00 - Animação de rua, vários grupos convidados (Latos de Bagueixe, Mira Bornes e Bombos das Arcas) 15h30 - Caretos à Solta. 17h30 - Merenda à Transmontana. 18h00 - Bailarico Popular – “Diatónicos” (Grupo de Concertinas)
Dia 15 Fevereiro - Segunda-feira
10h30 - Passeio de Burros – “Do Careto ao Azibo”. 10h30 - Raid Fotográfico. 10h30 - Barraquinhas, Mostra e Venda de Produtos Regionais. 15h30 - Gincana de Burros
19h30 - Noite Gastronómica (Feijoada no Pote). 21h30 - Pregão Casamenteiro – Casamentos 22h00 - Noite da “Máscara Mágica” com desfile, Teatro de Rua “Mandrágora” 22h30 - Queimada 23h00 - Baile do Entrudo - RONCOS DO DIABO
Dia 16 de Fevereiro - Terça Feira de Carnaval
10h00 - Barraquinhas, Mostra e Venda de Produtos Regionais. 10h30 - Passeio Pedestre - Trilho dos Caretos.
A Partir das 15.00 Horas - Caretos à Solta - Desfile de Marafonas - Animação de Rua: Grupo de Gaiteiros “Roncos de Diabo”, “Trouxa Mouxa” e “Pauliteiros de Miranda”.
Depois de algumas gravações do Grupo, eis que chega altura de uma verdadeira edição discográfica, onde o seu lançamento realizou-se no início de Verão 2009 no Xº Festival Interceltico de Sendim. Foi no estúdio do Conservatório de Música de Vila Real, que o Grupo Lenga Lenga levou a cabo as gravações de 14 temas do seu novo projecto de titulo " L Teçtemunho" – trata-se de um objecto musical de raízes mirandesas, que servirá como transporte de uma tradição de gerações. O bastão (testemunho) dos corredores de estafeta não se deve deixar cair, de forma igual este disco serve para que a rica tradição musical das terras de Miranda não caia no esquecimento. Ouve no entanto a preocupação do Grupo em convidar para alguns temas do disco, quatro músicos todos eles das Terras de Miranda, na voz Vanessa Martins de Miranda do Douro, no violino Ângela Topa da Freixiosa – Miranda do Douro e sendo dois deles os mais antigos tocadores de Gaita de Foles Mirandesa, o Tio José Maria Fernandes de Urrós – Mogadouro e o Tio Ângelo Arribas da Freixiosa – Miranda do Douro, tratam-se de dois verdadeiros Gaiteiros Mirandeses que sempre divulgaram a música tradicional mirandesa, na sua mais pura essência, e traduziram os seus conhecimentos para as gerações mais jovens como é o caso do grupo Lenga Lenga. A eles o grupo agradece…
Lenga Lenga – Gaiteiros de Sendim o grupo é composto por quatro elementos que fomentam a passagem do mais importante testemunho tradicional dos seus antepassados! A língua mirandesa, os cantares, a danças mistas e os pauliteiros! Os trajes com que o grupo se apresenta são de confecção tradicional à imagem dos velhos gaiteiros mirandeses. Os instrumentos são réplicas autênticas tanto em sonoridade timbrica, como na sua ornamentação exterior. Fieis à melodia tradicional, trabalhando os ritmos e o timbre oral da língua mirandesa! As origens: o grupo data de 19 de Julho de 2000, com a formação inicial do trio tradicional, a formação actual é de quatro elementos, tendo como objectivos desenvolver o repertório Mirandês estudando, recolhendo e criando novos temas tradicionais, incentivando assim o gosto pela gaita-de-foles mirandesa, flauta pastoril (três buracos), cantigas tradicionais, romances e danças dos pauliteiros. O grupo tem a particularidade de Henrique Fernandes pertencer sendo a única e mais antigas famílias de Gaiteiros tradicionais da Terra de Miranda, vai já na sua quarta geração, sempre fiel às técnicas de digitação desenvolvidas pelos seus antecedentes, tendo já percorrido três séculos desde o ano de 1865 até hoje, também têm a particularidade de ser o único Palheteiro Mirandês. Dinis Arribas, jovem Gaiteiro, uma das maiores promessas na área da música tradicional mirandesa, desde muito novo que aprendeu a tocar a gaita mirandesa, a caixa de guerra e o bombo, muito por culpa do seu avô materno, o Sr. Ângelo Arribas, Mestre gaiteiro e construtor de gaitas de foles. Telmo Ramos e David Jantarada sempre ligado a cultura mirandesa tanto no ambiente familiar, dos Pauliteiros e Rancho Infantil da terra de Sendim, sempre acompanhando as raízes musicais das terras de Miranda.
A propósito de quarto irmãos músicos, fundadores da Associação Cultural d’Orfeu localizada em Águeda, constrói-se uma génese da música tradicional portuguesa para em seguida se alargar a outros contextos e colocar-se a seguinte pergunta: como seria a música portuguesa se gostasse dela própria?
O titulo provisório do novo documentário de Tiago Pereira foi "Contexto e significado - a música portuguesa se gostasse dela própria -" durante algumas semanas. Com o aproximar da data de conclusão acontece a metamorfose para "Significado - a música portuguesa se gostasse dela própria". Mas as imagens contam também uma outra história, ensinam um outro processo essencial na cultura que se cria, o de contemporanização da cultura de raíz tradicional.
Partimos neste avião d'Orfeu em classe de luxo, recebendo uma demonstração de contexto em que vários nomes da cultura tradicional [Júlio Pereira, Victor Rua, Carlos Guerreiro entre outros] nos trazem os traços essenciais do fazer música trad em Portugal. Uma demonstração cheia de saber, de vontade e paixão que nos cativa o olhar levando para bem longe do mundo lá fora. Com a dinâmica própria do video do Tiago Pereira, recebemos as boas vindas a bordo [para já apenas em Português, mas traduzido em breve].
Tendo a bagagem essencial, contextualizados os problemas de interpretar e criar tradição, é a vez da história da d'Orfeu ganhar a atenção dos holofotes. O percurso dos quatro irmãos é trazido em contexto com a realidade de um país a re-descobrir as suas raízes. Descobrimos a improvisação do Bitocas, a mestria do Rogério Fernandes, a irreverência do Luís Fernandes e a exploração sonora do Artur Fernandes. Ouvimos intervenientes nessa história, percebemos de onde veio esta obra, quem inspirou, ensinou e acarinhou as raízes da casa.
Nesta travessia de história somos então convidados a entender o processo essencial que marca a identidade da d'Orfeu enquanto fazedor de cultura: a contemporanização das coisas da tradição. A sobreposição de melodia tradicional com melodia contemporânea, o explorar do instrumento abandonado no preconceito, a recolha e a descoberta, a captação de novo público.
"Isto é a descontrução na plenitude de uma cantiga, que não deixa de ser reconhecível, e isso é muito importante para os públicos que a conhecem, que a cantaram, que a ouviram pelas avozinhas, mas [ainda mais importante]... para novas pessoas começarem a cantar" Luís Fernandes
Sem que as datas sejam sequer ditas, sem que a sequência de eventos seja focada, nasce-nos a imensa obra cultural em Águeda ao som da contemporeneiadade de melodias antigas, de formas inovadoras de ouvir e cantar.
A partir de agora este "Significado" será visto e interpretado. Daqui a 2 meses verá a sua estreia oficial e novos voos se lhe colocarão. Há já quem tenha proposto que seja levado como documento essencial a escolas e bibliotecas. Há quem nele veja uma forma de quebrar perconceitos, de estilhaçar redomas de ideias antigas.
Seria também "Contexto e contemporanização" um titulo justo para esta obra? É também o título que nos deixa o desafio de aprender a música portuguesa, de gostar de nós. No título vive um "se", que remete para o condicional. Mas estamos certos que este condicional desaparecerá pouco a pouco, passo a passo, com obras como a do realizador e do realizado. Porque se vão quebrando preconceitos, criando obra, afirmando um ponto de vista fundamentado temos a certeza que em breve escreveremos "a música portuguesa e como ela [e outros] gosta dela própria"
Omiri é um projecto que vive da dualidade antigo vs moderno.
Um músico e um vj partem dos bailes, de danças tradicionais e de instrumentos antigos e transformam-nos numa viagem audio-visual em que o moderno se funde com a tradição e esta se rejuvenesce, tornando-se viva e apta a ser vivida nos tempos de hoje.
“Dentro da Matriz” é o nome do disco de estreia de Omiri, o projecto a solo de Vasco Ribeiro Casais (Dazkarieh) que ao vivo conta com a colaboração do Realizador e Visualista Tiago Pereira. É um disco essencialmente instrumental em que todos os temas correspondem a uma dança específica (Repasseado, Malhão, Valsa, Mazurca, Chotiça, etc.), Composto, interpretado, gravado, misturado e masterizado por Vasco Ribeiro Casais conta com a colaboração de Né Ladeiras no único tema cantado do disco “Malhão do Vento” com letra de Tiago Torres da Silva. A música é tratada com sonoridades electrónicas e electricas dos nossos dias e ilustrada com imagens de dança, desde a contemporânea à étnica. As danças nas actuações ao vivo são ensinadas ao público durante o próprio baile por uma monitora que convida todos a participar.
A edição é da recém criada editora Ferradura e tem distribuição nacional pela Compact Records. Digressão de lançamento: 22 de Janeiro - Espaço Desassossego - Beja 23 Janeiro - Espaço Celeiros - Évora 28 Janeiro - Contagiarte - Porto 29 Janeiro - Acert - Tondela 12 Fevereiro - Teatro Aveirense - Aveiro 13 Fevereiro - Artistas - Faro 14 Fevereiro - Entrudanças - Entradas (Castro Verde) 26 Fevereiro - Maxime - Lisboa 13 Março - CCC - Caldas da Rainha - TBC 23 a 25 Julho - Villiandi Folk Music Festival - Estónia
Alinhamento do Disco: 1. Dentro da Matriz 2. A 5 Tempos 3. Repasseado 4. No Cerne 5. À la Muse 6. Algum Barulho 7. E Agora Respira 8. Chotiça da Marmeleira 9. Em Tensão 10. Valsa 30 11. Porka Polka 12 Malhão do Vento (com Né Ladeira)
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