Caretos de Podence Enviar por E-mail
Domingo, 24 Janeiro 2010 22:26
caretos_podence_310Em Podence, nos dias de Carnaval, os Caretos surgem em magotes, de todos os sítios, percorrendo a aldeia em correrias desenfreadas, num clima fantástico e fascinante, pleno de sedução e mistério. Ninguém lhes consegue ficar indiferente, aqueles que não se vestirem de Careto abrem as suas adegas aos passantes. As crianças de sexo masculino, os Facanitos perseguem os Caretos tentando imitá-los, as raparigas solteiras, são o principal alvo dos mascarados, admiram-nos das janelas ou varandas das suas casas, com um certo receio de que o entusiasmo dos Caretos os leve a trepar para as poderem chocalhar.


Dia 14 de Fevereiro - Domingo Gordo

9h00 - Batida ao Javali.
10h00 - Barraquinhas, Mostra e Venda de Produtos Regionais
10h00 - Passeio de Burros – “Do Careto ao Azibo”.
11h00 - Inauguração da Exposição de Fotografia

14h30 - Leilão Chocalheiro.
15h00 - Animação de rua, vários grupos convidados (Latos de Bagueixe, Mira Bornes e Bombos das Arcas)
15h30 - Caretos à Solta.
17h30 - Merenda à Transmontana.
18h00 - Bailarico Popular – “Diatónicos” (Grupo de Concertinas)


Dia 15 Fevereiro - Segunda-feira

10h30 - Passeio de Burros – “Do Careto ao Azibo”.
10h30 - Raid Fotográfico.
10h30 - Barraquinhas, Mostra e Venda de Produtos Regionais.
15h30 - Gincana de Burros

19h30 - Noite Gastronómica (Feijoada no Pote).
21h30 - Pregão Casamenteiro – Casamentos
22h00 - Noite da “Máscara Mágica” com desfile, Teatro de Rua “Mandrágora”
22h30 - Queimada
23h00 - Baile do Entrudo - RONCOS DO DIABO


Dia 16 de Fevereiro - Terça Feira de Carnaval

10h00 - Barraquinhas, Mostra e Venda de Produtos Regionais.
10h30 - Passeio Pedestre - Trilho dos Caretos.

A Partir das 15.00 Horas
- Caretos à Solta
- Desfile de Marafonas
- Animação de Rua: Grupo de Gaiteiros “Roncos de Diabo”, “Trouxa Mouxa” e “Pauliteiros de Miranda”.

17h30 - Queima do Entrudo.
 
Lenga Lenga - L Teçtemunho Enviar por E-mail
Quinta, 21 Janeiro 2010 20:47

livro_310Depois de algumas gravações do Grupo, eis que chega altura de uma verdadeira edição discográfica, onde o seu lançamento realizou-se no início de Verão 2009 no Xº Festival Interceltico de Sendim. Foi no estúdio do Conservatório de Música de Vila Real, que o Grupo Lenga Lenga levou a cabo as gravações de 14 temas do seu novo projecto de titulo " L Teçtemunho"  – trata-se de um objecto musical de raízes mirandesas, que servirá como transporte de uma tradição de gerações. O bastão (testemunho) dos corredores de estafeta não se deve deixar cair, de forma igual este disco serve para que a rica tradição musical das terras de Miranda não caia no esquecimento.
Ouve no entanto a preocupação do Grupo em convidar para alguns temas do disco, quatro músicos todos eles das Terras de Miranda, na voz Vanessa Martins de Miranda do Douro, no violino Ângela Topa da Freixiosa – Miranda do Douro e sendo dois deles os mais antigos tocadores de Gaita de Foles Mirandesa, o Tio José Maria Fernandes de Urrós – Mogadouro e o Tio Ângelo Arribas da Freixiosa – Miranda do Douro, tratam-se de dois verdadeiros Gaiteiros Mirandeses que sempre divulgaram a música tradicional mirandesa, na sua mais pura essência, e traduziram os seus conhecimentos para as gerações mais jovens como é o caso do grupo Lenga Lenga. A eles o grupo agradece…

Lenga Lenga – Gaiteiros de Sendim
 o grupo é composto por quatro elementos que fomentam a passagem do mais importante testemunho tradicional dos seus antepassados! A língua mirandesa, os cantares, a danças mistas e os pauliteiros! Os trajes com que o grupo se apresenta são de confecção tradicional à imagem dos velhos gaiteiros mirandeses.
Os instrumentos são réplicas autênticas tanto em sonoridade timbrica, como na sua ornamentação exterior.
Fieis à melodia tradicional, trabalhando os ritmos e o timbre oral da língua mirandesa!
As origens: o grupo data de 19 de Julho de 2000, com a formação inicial do trio tradicional, a formação actual é de quatro elementos, tendo como objectivos desenvolver o repertório Mirandês estudando, recolhendo e criando novos temas tradicionais, incentivando assim o gosto pela gaita-de-foles mirandesa, flauta pastoril (três buracos), cantigas tradicionais, romances e danças dos pauliteiros.
O grupo tem a particularidade de Henrique Fernandes pertencer sendo a única e mais antigas famílias de Gaiteiros tradicionais da Terra de Miranda, vai já na sua quarta geração, sempre fiel às técnicas de digitação desenvolvidas pelos seus antecedentes, tendo já percorrido três séculos desde o ano de 1865 até hoje, também têm a particularidade de ser o único Palheteiro Mirandês. Dinis Arribas, jovem Gaiteiro, uma das maiores promessas na área da música tradicional mirandesa, desde muito novo que aprendeu a tocar a gaita mirandesa, a caixa de guerra e o bombo, muito por culpa do seu avô materno, o Sr. Ângelo Arribas, Mestre gaiteiro e construtor de gaitas de foles. Telmo Ramos e David Jantarada sempre ligado a cultura mirandesa tanto no ambiente familiar, dos Pauliteiros e Rancho Infantil da terra de Sendim, sempre acompanhando as raízes musicais das terras de Miranda.

Passatempo

O Rodobalho oferece três "L teçtemunho" às mais rápidas respostas a:

 Na gaita Mirandesa o fole é feito da pele de que animal?

 


 
SIGNIFICADO - A música Portuguesa se gostasse dela própria Enviar por E-mail
Terça, 19 Janeiro 2010 18:06

Trailer - SIGNIFICADO - a música portuguesa se gostasse dela própria de Tiago Pereira

 

A propósito de quarto irmãos músicos, fundadores da Associação Cultural d’Orfeu localizada em Águeda, constrói-se uma génese da música tradicional portuguesa para em seguida se alargar a outros contextos e colocar-se a seguinte pergunta: como seria a música portuguesa se gostasse dela própria?

Realização, Imagem, Montagem: Tiago Pereira
Som: Eduardo Vinhas
Produção: d’Orfeu Associação Cultura
©2010

 

O titulo provisório do novo documentário de Tiago Pereira foi "Contexto e significado - a música portuguesa se gostasse dela própria -" durante algumas semanas. Com o aproximar da data de conclusão acontece a metamorfose para "Significado - a música portuguesa se gostasse dela própria". Mas as imagens contam também uma outra história, ensinam um outro processo essencial na cultura que se cria, o de contemporanização da cultura de raíz tradicional.

Partimos neste avião d'Orfeu em classe de luxo, recebendo uma demonstração de contexto em que vários nomes da cultura tradicional [Júlio Pereira, Victor Rua, Carlos Guerreiro entre outros] nos trazem os traços essenciais do fazer música trad em Portugal. Uma demonstração cheia de saber, de vontade e paixão que nos cativa o olhar levando para bem longe do mundo lá fora.  Com a dinâmica própria do video do Tiago Pereira, recebemos as boas vindas a bordo [para já apenas em Português, mas traduzido em breve].

Tendo a bagagem essencial, contextualizados os problemas de interpretar e criar tradição, é a vez da história da d'Orfeu ganhar a atenção dos holofotes. O percurso dos quatro irmãos é trazido em contexto com a realidade de um país a re-descobrir as suas raízes. Descobrimos a improvisação do Bitocas, a mestria do Rogério Fernandes, a irreverência do Luís Fernandes e a exploração sonora do Artur Fernandes. Ouvimos intervenientes nessa história, percebemos de onde veio esta obra, quem inspirou, ensinou e acarinhou as raízes da casa.

Nesta travessia de história somos então convidados a entender o processo essencial que marca a identidade da d'Orfeu enquanto fazedor de cultura: a contemporanização das coisas da tradição. A sobreposição de melodia tradicional com melodia contemporânea, o explorar do instrumento abandonado no preconceito, a recolha e a descoberta, a captação de novo público.

 

"Isto é a descontrução na plenitude de uma cantiga, que não deixa de ser reconhecível, e isso é muito importante para os públicos que a conhecem, que a cantaram, que a ouviram pelas avozinhas, mas [ainda mais importante]... para novas pessoas começarem a cantar" Luís Fernandes

 

Sem que as datas sejam sequer ditas, sem que a sequência de eventos seja focada, nasce-nos a imensa obra cultural em Águeda ao som da contemporeneiadade de melodias antigas, de formas inovadoras de ouvir e cantar.

A partir de agora este "Significado" será visto e interpretado. Daqui a 2 meses verá a sua estreia oficial e novos voos se lhe colocarão. Há já quem tenha proposto que seja levado como documento essencial a escolas e bibliotecas. Há quem nele veja uma forma de quebrar perconceitos, de estilhaçar redomas de ideias antigas.  

Seria também "Contexto e contemporanização" um titulo justo para esta obra? É também o título que nos deixa o desafio de aprender a música portuguesa, de gostar de nós. No título vive um "se", que remete para o condicional. Mas estamos certos que este condicional desaparecerá pouco a pouco, passo a passo, com obras como a do realizador e do realizado. Porque se vão quebrando preconceitos, criando obra, afirmando um ponto de vista fundamentado temos a certeza que em breve escreveremos "a música portuguesa e como ela [e outros] gosta dela própria"


 
Dentro da Matriz - Visões electrónicas Enviar por E-mail
Terça, 19 Janeiro 2010 07:51
omiri_teatro_iberico_310Omiri é um projecto que vive da dualidade antigo vs moderno.

Um músico e um vj partem dos bailes, de danças tradicionais e de instrumentos antigos e transformam-nos numa viagem audio-visual em que o moderno se funde com a tradição e esta se rejuvenesce, tornando-se viva e apta a ser vivida nos tempos de hoje.

“Dentro da Matriz” é o nome do disco de estreia de Omiri, o projecto a solo de Vasco Ribeiro Casais (Dazkarieh) que ao vivo conta com a colaboração do Realizador e Visualista Tiago Pereira.
É um disco essencialmente instrumental em que todos os temas correspondem a uma dança específica (Repasseado, Malhão, Valsa, Mazurca, Chotiça, etc.), Composto, interpretado, gravado, misturado e masterizado por Vasco Ribeiro Casais conta com a colaboração de Né Ladeiras no único tema cantado do disco “Malhão do Vento” com letra de Tiago Torres da Silva.
A música é tratada com sonoridades electrónicas e electricas dos nossos dias e ilustrada com imagens de dança, desde a contemporânea à étnica. As danças nas actuações ao vivo são ensinadas ao público durante o próprio baile por uma monitora que convida todos a participar.

Vasco Ribeiro Casais: Programações, Nyckelharpa, Bouzouki, Gaitas-de-fole.
Tiago Pereira: VJ

A edição é da recém criada editora Ferradura e tem distribuição nacional pela Compact Records.
Digressão de lançamento:
22 de Janeiro - Espaço Desassossego - Beja
23 Janeiro - Espaço Celeiros - Évora
28 Janeiro - Contagiarte - Porto
29 Janeiro - Acert - Tondela
12 Fevereiro - Teatro Aveirense - Aveiro
13 Fevereiro - Artistas - Faro
14 Fevereiro - Entrudanças - Entradas (Castro Verde)
26 Fevereiro - Maxime - Lisboa
13 Março - CCC - Caldas da Rainha - TBC
23 a 25 Julho - Villiandi Folk Music Festival - Estónia

Alinhamento do Disco:
1. Dentro da Matriz
2. A 5 Tempos
3. Repasseado
4. No Cerne
5. À la Muse
6. Algum Barulho
7. E Agora Respira
8. Chotiça da Marmeleira
9. Em Tensão
10. Valsa 30
11. Porka Polka
12 Malhão do Vento (com Né Ladeira)

 
Bailanser, a dança em Lamego Enviar por E-mail
Quinta, 14 Janeiro 2010 18:08
bailanser_lamego_01.
BailanSer é um espectáculo que nasce para ressuscitar as Danças Tradicionais de toda a Europa. Numa fusão simbiótica entre músicos e bailarinos, entre danças quentes e momentos acelerados, melodias conhecidas e outras esquecidas. BailanSer oferece uma viagem aos vários cantos do mundo, adaptando aos dias de hoje a mesma magia que fazia rodopiar, sonhar e balançar no passado e recolhendo temas e danças que permitem dar a conhecer ou simplesmente relembrar um pouco mais as tradições de uma quase esquecida.

 
Baile das Comadres em Baião Enviar por E-mail
Segunda, 11 Janeiro 2010 21:05

baile_comadres_cartaz_310Não conhecemos a origem deste "Baile das Comadres", mas apostamos que há uma belissima raíz de tradição nesta proposta conjunta de Byonritmos, Andarilhos e Popolomondo. Quem são os voluntários que à dança juntará a natural curiosidade e escreva a descoberta?

No próximo dia 23 de Janeiro recupera-se, em Baião, a tradição dos Bailes de Entrudo. Irá acontecer na Casa de Chavães, o Baile das Comadres, uma organização da Ass. Byonritmos com o apoio da Câmara Municipal de Baião e da Ass. Andarilhos.
A programação terá início às 16:30 com a Oficina de Danças tradicionais, monitorizada por Diana Azevedo: um espaço lúdico e de partilha, onde adultos e crianças, inscritos, irão iniciar uma viagem pelas danças com história.
Um dos momento de destaque será a apresentação da obra "Cancioneiro do Alto Douro" por Altino Cardoso, aproveitando o recente lançamento do seu 3º volume. Para além das 1150 músicas e letras recolhidas por este autor, esta vasta obra inclui também uma importante análise histórico e literária da cultura tradicional/popular da região, com descaque para os seus vestígios medievais.
Recheada dos sabores da quadra, reserva-se a todos os inscritos, a Ceia da Comadres, que dará lugar ao Baile.  A gaita-de-foles, cavaquinho, viola braguesa, viola amarantina, violão, acordeão, bombos e diferente percussão, interpretados pelo grupo Ecoum (Ass. Andarilhos), animarão este serão; estando ainda prevista a presença de outros músicos, que  ao longo da noite se irão associar a esta festa. De salientar que a entrada no baile, é livre.
Mais informações, contacto: 919004113
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Senhor Galandum Enviar por E-mail
Segunda, 11 Janeiro 2010 19:50

Catorze anos volvidos desde a sua formação, Galandum Galundaina trazem-nos novas melodias do planalto mirandês, no seu mais recente trabalho musical, Senhor Galandum. A moda que deu nome ao grupo vê agora a luz do dia, num momento de maior maturidade do quarteto mirandês. Com novas sonoridades, onde predominam a rabeca e a sanfona, este álbum traz também convidados de renome, como Sérgio Godinho ou sdc14359_620Uxía. À conversa com Manuel Meirinhos, o mais jovem Galandum Galundaina, procuramos conhecer melhor o trabalho desenvolvido para a promoção do património cultural mirandês.


O vosso trabalho centra-se nas sonoridades tradicionais mirandesas. Como procedem à pesquisa sonora?
Nós vivemos a cultura tradicional desde sempre, com as pessoas da aldeia, com os nossos pais, com os nossos avós. A maior parte do nosso reportório foi-nos ensinada pela nossa [Manuel, Alexandre e Paulo Meirinhos] mãe, desde pequeninos. Para além disso, fomos contactando com outros gaiteiros e músicos de Miranda. É um ambiente musical que nos está no sangue, sempre vivemos com ele.

Para além das melodias tradicionais, as músicas de Galandum têm a característica de serem sempre cantadas em mirandês. Como procedem aos arranjos sonoros após as pesquisas? Como surgem as letras?
Tentamos sempre a manter a música tradicional. A música Senhor Galandum, por exemplo, é uma dança tradicional muito bonita portanto procuramos manter o ritmo para que seja possível continuar a dança-la. Partimos das melodias tradicionais como base e tentamos embelezar as músicas e dar-lhes crescimento, para evitar que sejam monótonas. Também as letras são originalmente mirandesas e tradicionais. A excepção é a Coquelhada Marralheira, na qual convidamos o Sérgio Godinho para cantar connosco - demos-lhe a letra tradicional e a partir daí ele desenvolveu a letra dele em português, falando de alguém que vinha de Lisboa para confirmar a história tradicional.

Apesar da importância do processo de pesquisa empírico, através do ambiente familiar, todos os elementos do grupo têm uma formação musical mais abrangente. Qual?
Tanto o Paulo Meirinhos como o Paulo Preto completaram o conservatório, um em guitarra e o outro em canto. O Alexandre Meirinhos estudou na Escola de Jazz. Todos eles são actualmente professores de música. Eu sou autodidacta em muitos instrumentos, nomeadamente nos tradicionais, no entanto também tive formação musical mais diversificada – o meu primeiro instrumento foi o baixo eléctrico. O nosso conhecimento musical não se limita à música tradicional.

Trabalhar o património cultural transmontano é uma casualidade provocada pela vivência desse ambiente ou implica uma intenção clara de divulgação?
Galandum é um grupo mirandês. Trabalhamos exclusivamente com uma pequena zona de Trás-os-Montes – concretamente Miranda do Douro. A nossa intenção é mostrar a toda a gente a cultura mirandesa.

Até agora não existe um trabalho específico na área das danças. Além das melodias tradicionais já pensaram em convidar alguém que ensine as danças antes ou durante os espectáculos?
Há já algum tempo que fazemos workshops de dança dos pauliteiros. Workshops de danças mistas nunca se concretizaram, pois é necessário alguém que conheça bem todas as danças. No entanto esse tipo de trabalho depende muito do ambiente: no Andanças, por exemplo, faz todo o sentido, há outros ambientes em que não.

Para além do trabalho de produção musical, Galandum constituíram Associação Cultural. Que trabalho têm desenvolvido nessa área?
Em primeiro lugar procuramos alertar o público para a existência da cultura mirandesa e estimular o seu desenvolvimento, tanto da língua como da música. Organizamos a comissão para a padronização da nossa gaita-de-foles: é importante a partir do momento em que há muitos gaiteiros. A gaita mirandesa sempre foi uma gaita desafinada, cada uma com uma afinação diferente. Comprometemo-nos a preparar uma gaita para que todos possamos tocar juntos. É mais um meio de desenvolver a cultura mirandesa, ao torná-la mais global e acessível. Para além disso, organizamos o festival l burro i l gueiteiro, que procura levar ao público o conhecimento tradicional e recuperar o burro mirandês, em conjunto com a AEPGA.

Este álbum traz algumas novidades, nomeadamente as colaborações de diversos músicos conceituados, como Sérgio Godinho, Uxia ou Peixoto. Como surgiram estas colaborações?
No fundo não é uma novidade, pois já no álbum anterior tínhamos convidado amigos nossos. Procuramos convidar pessoas com quem temos prazer em tocar e que podem acrescentar algo de novo à nossa música. O Sérgio Godinho e a Uxía são casos especiais, que sentimos que se adaptavam àquelas músicas. Sentíamos que a Coquelhada Marralheira se adaptava à voz do Sérgio Godinho, que fazia falta aquela voz. A Uxía é uma das melhores vozes da Península Ibérica, por isso decidimos convidá-la para La Galhina, uma cantiga de embalar.

Nessa música há também a colaboração de Eliodora Ventura, mãe de três dos músicos de Galandum…
A nossa mãe cantava-nos essa música para adormecermos quando éramos pequenos. Foi dela que aprendemos grande parte do nosso cancioneiro e tem estado sempre presente, a motivar-nos e a dar-nos sugestões. É uma das mentoras de Galandum.

A incursão pela música electrónica, com a nova versão de nabos é uma tentativa de tomar as pistas de dança? Acreditam que o folk em Portugal poderia resultar, como acontece no Boombal da Bélgica, não só nos bailes mas também nas discotecas?
Não temos a pretensão de entrar nas discotecas. Pessoalmente, gosto muito de música electrónica evoluída. Os instrumentos electrónicos já têm alguns anos, são actuais e a música tradicional não pode viver no passado - «Tradição é a passagem do fogo e não a veneração das cinzas». A nossa intenção é apenas produzir um som novo, que possa chegar a pessoas que não estão habituados a este tipo de música. Há algumas discotecas onde é possível passar, mas a intenção não foi essa, mas sim divulgar música tradicional com um ambiente actual.

O novo álbum traz-nos uma maior diversidade de influências, que se manifesta também no maior leque de instrumentos, como o realejo, o bouzouki e a rabeca, com uma predominância clara desta última e da sanfona sobre a gaita-de-foles. Quais são as novidades? Como se deu a integração?
Quase todos os instrumentos que tocamos estão presentes na cultura mirandesa, com excepção do bouzouki. Tocamos pela primeira vez com o Peixoto no México, num festival em que estivemos com os Dazkarieh, sentimos que podia trazer algo de novo à nossa música e decidimos chamá-lo para este álbum. Não queremos ser puristas ao máximo e bloquear a música àqueles instrumentos tradicionais, mas sim ir abrindo e englobando mais coisas. A rabeca não surge referenciada no cancioneiro como um instrumento mirandês, no entanto há registos da sua presença na nossa cultura. Quando o Paulo fez a primeira rabeca houve de imediato várias pessoas de mais idade que reconheceram e recordaram antigos tocadores – foi como um processo de pesquisa invertido. Para além disso procuramos adaptar – desde garrafas a colheres de pau – o que, aliás, faz também parte do processo tradicional. Estamos a falar de uma região pobre, não havia dinheiro para comprar instrumentos especializados - mesmo a gaita-de-foles era muitas vezes construída pelos próprios tocadores – por isso, qualquer coisa servia para produzir música: mãos, pés, garrafas…Tentamos potencializar ao máximo esses pequenos instrumentos.


Alguns desses instrumentos são construídos pelos elementos do grupo. Podes explicar esse processo? Quais as características específicas?
Sim, construímos alguns dos nossos instrumentos. No meu caso, por exemplo, fiz uma flauta de osso de grifo, quando um amigo meu que recolhe animais mortos (electrocutados, envenenados, etc.) me deu os ossos. É um osso oco por natureza e que permite dar outras tonalidades diferentes das convencionais. O Paulo Meirinhos faz as rabecas e o Alexandre as caixas de guerra. Durante muito tempo tocávamos com a caixa de guerra original do nosso avô [Alfredo Ventura], mas com a rodagem o Alexandre sentiu necessidade de construir uma cópia exacta e a partir daí começou a fazer mais e a recuperar. Há ainda os pandeiros (adufes), que o nosso avô também fazia e agora é o Paulo Meirinhos que faz. O pandeiro mirandês tem todos aqueles formatos invulgares (triangular, hexagonal, losangolar), como inovação o Paulo teve a ideia de meter uma câmara-de-ar para podermos esticar a pele e tocar mesmo quando há mais humidade. Não construímos gaitas, mas temos amigos que o fazem e estamos a trabalhar com eles para a normalização.

Têm já alguma projecção no estrangeiro, com espectáculos em Espanha, Alemanha, Bélgica…como sentem essa realidade? Que diferenças em relação à recepção em Portugal?
Acaba por ser a mesma coisa, no sentido em que mostramos uma cultura de uma zona muito particular de Portugal. Se por um lado lá fora só conhecem o fado, em Portugal há muita gente que quando pensa em gaitas-de-foles pensa nas escocesas, sem saber que também existem em Portugal. Procuramos que os nossos concertos sejam pedagógicos, que as pessoas passem um bom bocado e aprendam algo sobre outra cultura.

De que forma essas experiências influenciam o processo criativo?
Antigamente a música tradicional tinha um propósito específico: havia músicas de embalar, de trabalho (de ceifar, de cardar), de animar os pauliteiros e fazer a festa. Nos concertos é um ambiente diferente: temos de estimular no público o interesse por aquilo que estamos a divulgar, sem que seja enfadonho. Os ranchos montavam todo o ambiente no palco, representavam tudo fielmente. Isso está bem, mas não para o ambiente de concerto - torna-se repetitivo e monótono. Na nossa música procuramos mudar de instrumentos, de tonalidades…como disse anteriormente procuramos potencializar ao máximo os instrumentos para criar um espectáculo estimulante para o público.

Depois do lançamento oficial no dia 19 de Dezembro no Porto, apresentarão o novo álbum no dia 23 de Janeiro em Fuonte Aldé, aldeia dos três irmãos Meirinhos. Que projectos nos reservam para o futuro?
Divulgar o álbum e continuar a divulgar a música mirandesa e os seus instrumentos. Esperamos poder continuar também com o festival l burro i l gueiteiro. Dentro de um ou dois anos gostaríamos de fazer um álbum de música religiosa tradicional mirandesa, mais uma vez, uma sugestão da nossa mãe.

Os Galandum Galundaina oferecem o Senhor Galandum às três primeiras pessoas a completar o dito mirandês (dica: escutem o tema publicado aqui ao lado no leitor):
La casa dl cura num ten mais que ua cama
an la cama drume l cura
donde conhos...

 
POweRTUGA por Luis Peixoto Enviar por E-mail
Segunda, 11 Janeiro 2010 09:11
balltoque_powertuga_peixoto_01
 Uma proposta de preparação de temas de raíz Portuguesa, com a boa disposição do Luis Peixoto (Dazkarieh, Dancing Strings, Sebastião Antunes trio, Zigaia) e o seu imenso percurso.
O texto "oficial" diz:
Neste curso vai-se trabalhar e preparar vários temas de raiz tradicional portuguesa de uma forma menos convencional. É aberto a todos instrumentos acústicos e a músicos com alguma experiencia.
"POweRTUGA"
por Luís Peixoto
 curso de 4 aulas

Segundas, 20H00 às 21H30

Casa da Comarca da Sertã rua da madalena, 171 3º lisboa

Ínicio a 25 Janeiro 2010
Nº Alunos: min 4
Preço: 45 balls (4 aulas)
inscrição: Este endereço de e-mail está protegido de spam bots, pelo que necessita do Javascript activado para o visualizar  

 
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Workshop de dança | Centro Norton de Matos | Coimbra
17:00 
Pelo Rodobalho, no âmbito da marcha mundial das mulheres. gratuito



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