Argumentos para um Folk Tuga Versão para impressão
Escrito por No Mazurka Band   

Independentemente das éticas, das paixões, dos gostos de cada um, há realmente uma razão importante para "inventar" ou "re-inventar" o nosso próprio Folk. É que se os grupos portugueses querem ter algum impacto internacional, só irão conseguir isso através da diferença, da originalidade. Não é a tocar música francesa ou irlandesa ou mesmo rock que um grupo português se irá notabilizar lá fora; não é por acaso que isso só acontece com grupos que apostam na nossa originalidade muito particular, como o Carlos Paredes, Madre Deus ou Dulce Pontes (independentemente de gostarmos ou não dos ditos projectos).

O mesmo se aplica ao Folk; se não houver um Folk genuinamente português, nunca terá projecção além fronteiras. Claro que a procissão ainda vai no adro, mas esta é mais uma razão para dedicar as nossas energias ao que é nosso (no bom sentido, no sentido da diferença, não de qualquer tipo de nacionalismo bacoco).

A reforçar esta ideia está o que recentemente aconteceu por terras Galegas em reacção ao o vídeo do Tiago "11 Burros caem no Estômago Vazio": já várias escolas galegas se deslocaram a Trás os Montes, cativadas pelas riquezas únicas daquelas terras e a beleza ímpar das suas gentes. É mais um exemplo prático do que dizia antes: se valorizarmos o que é nosso (como fez o Tiago nesse Vídeo), podemos atrair atenções além fronteiras, e assim afirmarmo-nos no mercado global da cultura. Se pelo contrário nos limitarmos a copiar os que os outros fazem, de certeza que os "originais" vão sempre ser melhores....

Comentarios (12)add comment
sara rio: ...
sem querer fazer de advogado do diabo, o que dizes nao e inteiramente verdade. das imensas bandas que tocam la fora (ou mesmo ca), muitas vezes muito semelhantes, há sempre alguma que se destaca, seja pelo reportorio, pela qualidade, pelo carisma. portanto, nao considero o reportorio o unico factor de diferença. lembro-me dos uma coisa em forma de assim, que considero fenomenais, cujos temas tocados são os mesmos, mas com uma tonalidade tao vincadamente jazzistica que se distinguem indelevelmente dos outros.
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04 de Novembro, 2008
Cara Sara, independentemente do valor de "Uma coisa em Forma de Assim", mesmo com uma sonoridade original, se fizessem só música francesa não têm qualquer hipótese lá fora de vingar. Uso o condicional porque sei que estão a preparar repertório português. Digo isto porquê? porque em França há muitíssimos grupos a misturar o Folk com o Jazz, como (citando apenas os que passaram por cá) os Dites 34, Vachinton, Pain d'epices, etc. A acrescer a isto, por mais que nós (Portugueses) nos esforcemos, dificilmente conseguiremos compor uma dança bretã, um rondeau ou uma bourrée como um francês: falta-nos muitos Km's de vivência. Essa aliás é a crítica que eu mais tenho ouvido ao longo dos anos aos grupos Portugueses que fazem Folk francês(incluindo Uxu Kalhus no tempo em que tocavam algumas bretãs), que o Andro ou a Bourrée estão mal tocados.... e claro que estão. Talvez nos safemos no que toca a circulos, chapaloises e mazurcas, porque são de certo modo um resultado da globalização do Folk, são neste momento danças apátridas; mas se vamos um bocadinho mais para o específico de cada região, como Bretanha, País Basco, Gasconha, Poitou ou Bourrée de Auvergne, de certeza que vamos fazer tocar mal, vamos compor mal, vamos sentir mal essas danças. Por exemplo, tenho tocado a Gavotte de l'Aven dos Djal (comp de Stephan Milleret), mas só este ano é que vi com os meus próprios olhos em Gennetines esta dança dançada pelos Bretões.... e realmente não tem nada a ver, nem no groove da música, nem no espírito nem no baile. Se queremos ser os melhores e marcar a diferença, não tenho duvida que só conseguiremos a tocar o que é nosso.
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05 de Novembro, 2008
Jorge Pinto aka Casainho: ...
Eu cá identifico-me é com as músicas dos NMB!! Deliro também com os Galandum e os Pauliteiros. Eu gosto da maior parte das danças e músicas desses grupos, porque as danças "são saltadas", é preciso bastante energia e eu tenho-a, gosto de acabar e estar suado, sou um pouco bruto, às vezes sinto-me como que um boi smilies/wink.gif

Já as danças como a mazurka, dançada como foi ensinada num workshop no último fest-i-ball, parece-me "feminina", sem necessidade de grande energia física, ou movimentos bruscos, brutos!! - Lembro-me que uma pessoa dizia: "A mazurka é gay", acho que a compreendo.

Cada vez menos desejo ir aos bailes em que são "só francesas". Eu cá continuo à procura de uma portuguesa da Região do Minho, com pernas fortes por dançar o Vira!! CARAÇAS!!
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06 de Novembro, 2008
sara rio: ...
casainho, juízo. a mazurca é gay? o que é ser gay, na dança, em primeiro lugar? comentário mais palerma, menino!
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06 de Novembro, 2008
Jorge Pinto aka Casainho: ...
Sara, realmente, eu não sei o que é ser gay, quanto mais na dança...

Bem, acho que dançar a mazurka como foi ensinada num workshop no último fest-i-ball, parece-me que tem uma espécie de energia que eu associo ao feminino - a tal falta de movimentos bruscos, com energia explosiva. Eu cá prefiro as portuguesas, sinto-me melhor a dança-las, e este é o meu melhor argumento, para mim mesmo, para preferir o folk tuga.

Espero que me compreendas.
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06 de Novembro, 2008
Tui: ...
Acho que o que o Casainho queria dizer era que a Mazurka é mais "Yin" do que o Folk Tuga é mais "Yang".

Yin = feminino, intuitivo, complexo, sensível
Yang = masculino, forte, vigorosa acção

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06 de Novembro, 2008
O que queria dizer o Jorge é que a neo-mazurca é uma dança tão abixanada que uma moça de pernas fortes para os lados do Minho dificilmente dançará; como este é o publico alvo do Jorge, e como as danças têm uma função muito importante no acasalamento humano (por mais que digam que não é mesmo assim, como o afirma Benjamim Pereira nos seus 70 e muitos e outros como eu que já quase chegaram à ternura dos 40; só aceito uma nega genuína nesta matéria de alguém com a mesma idade ou mais velha do que eu), a mazurca não faz parte das suas danças de eleição. Aviso à navegação: não há danças sacrossantas amiguinhos, muito menos a mazurca. Por mim podem dizer as vezes que quiserem que o Vira é Gay, que a Chula é abixanada e que as Saias são danças de gaja: de certeza que a única reacção será um sorriso. Na vida não se pode ser literal; a ironia tem muito mais piada, Sara.
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07 de Novembro, 2008
Joana R: ...
Oh gente! Gostos não se discutem! (e também não concordo que se eduquem).
Já tenho dito várias vezes, ainda não fui a bailes no estranjeiro, mas por aquilo que eu ouço as pessoas comentar os nossos bailes têm qualquer coisa de "um não sei quê" (un je ne sais quoi)...somos portuguses! Temos uma energia diferente,e ainda bem! Viva a diferença!Desconfio de que quando for vou sentir falta dessa qualquer coisa... ainda bem que nós por cá não levamos as coisas muito a sério! Venham as modas, as chulas, as saias, venha o reportório todo!
É pena que, muitas vezes, precissemos dos outros para nos apercebermos daquilo que temos de bom , das nossas peculiaridades! Nestes vários anos de Andanças tive a oportunidade de convier com gentes de outros países, de outras culturas e com essa experiência passei a dar muito mais valor à minha.
É incrivel como pequenas coisas que para nós são banais, são tudo menos banais! E as vezes é preciso ir lá fora para descobrir isso! Às vezes é quase divertido por parçer tão absurdo! Estive na Grécia e na Croácia e descobri que lá os cafés não conheçem o conceito de torradas nem de pão com manteiga!(já para não falar que o conceito deles de sopa é um pouco estrabnho...) Caraças, fomos grandes descobridores no passado! Está na altura de descobrimos também a nossa música as nossas danças, que o que é Nacional é bom!(há naconalismo e nacionalismo e nem todo é prejurativo ou faciszoide ou raio que o parta!)lembro-me de olhar para o pessoal a dançar, virar, o repasseado, o Toma lá dá cá ( e também as polskas, valsas assimétricas...)e pensar eu também quero! Eu também quero saber dançar essas coisas! vá lá que já vou conseguindo acompanhar o pessoal! Mas espero ainda fazer mais consquistas!
De qualquer modo, a vantagem da globalização deveria ser juntar o melhor de várias culturas. Por isso viva aos bailes que têm mazurkas e viras e corridinhos e tadiz katamar e tudo o reto!
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08 de Novembro, 2008
sara rio: ...
Paulo, o meu comentário tem muito pouco a ver com a mazurca e muito mais a ver com a questão de usar a palavra gay aqui, quando o que ele quer dizer é, mais exactamente, feminino, e adjectivos geralmente conotados com essa metade da população. são preconceitos que me irritam particularmente, ainda que não intencionados. como é lógico sei que este não é de todo o espaço de abordar essa questão, e não o farei. como também é lógico não me precisas de dizer isso da ironia... rio-me sempre com as tuas smilies/smiley.gif

casainho, o workshop foi dado por um macês. que raio esperavas? smilies/tongue.gif eu nunca vi um francês dançar a mazurka vigorosamente ou sequer atabalhoadamente, como nós smilies/wink.gif
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08 de Novembro, 2008
Só um apontamento; as mazurcas francesas (atenção, não estou a falar da mazurca de Genetinnes ou da neo-mazurca, mas a que existia previamente aos bailes Folk) são muito parecidas com a nossa moda de dois passos. Do que conheço, a mazurca do poitou é dançada com o mesmo "vigor" que a nossa. Na Catalunha acontece exactamente o mesmo, com as mazurcas tradicionais a serem muito mais saltadas que a mazurca folk. Na prática o que aconteceu foi uma primeira transformação da mazurca com o começo dos bailes Folk (anos 70) e mais recentemente, o aparecimento da mazurca-lambada. A mazurca "ancestral" é muito semelhante em todos os países, tanto na forma da dança como da música. Por isso, essa dos franceses não dançarem vigorosamente a mazurca é mentira; isso acontece apenas nos bailes Folk. Na mazurca tradicional de cada região (Poitou, Limousin, Gasconha, etc), a mazurca é muito parecida com a nossa, e mesmo com as versão ultramarinas da mesma, como Cabo verde e Brasil. Quando poder arranjo um vídeo comparativo da coisa. Muscalmente, compus uma moda de dois passos com musicas de Portugal, Catalunha e França, e a coisa cola completamente.
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09 de Novembro, 2008
Rodrigo NMB: ...
Já venho tarde para esta discussão, só agora reparei agora enquanto divulgava o nosso Blog à malta estrangeira e dar-lhe a conhecer o nosso mui famoso e formoso baile de Castro Verde.
A mazurka, tão linda que ela é, o circulo como ele funciona a chapelloise coisa mais nice quem se inicia nestas coisas, mas durante um tempo foi o possivel, foi o que se deu a conhecer, mas já passaram uns anos, é tempo de continuar e recuperar, as coisas são o que são, o passado já era, vamos entrar noutro discurso, penso que o desafio é esse, seja lá por onde for, nunca pensaram porque é que se começou nas francesas? Foi o possivel sem qualquer tipo de problema, olhem o reportório dos Balcãs, são potentissimas, no entanto ouve-se pouco, olhem as turcas, as armenas, as gregas, galegas e por aí a fora, é tempo de deixaram a França e arriscarem a experimentar algo de novo e não seguirem o que já foi feito, obviamente que não falo das tugas é evidente que é o mais importante que temos, então é nosso, não devia custar entrar tanto, aliás está a entrar e de que maneira. É porque a mazurka vai lá estar sempre, não tenham medo de começar outra vez a descobrir o passo e apanharem do ar quando não se sabe, é bom aprender, os engates continuam à mesma, toda a dança dança-se na vertical para uma horizontalidade ainda melhor (não é minha a expressão). Eu nem dançar bem danço, mas alma tuga está cá, que hei-de fazer, curtir curtir, até não poder mais, quando danço um vira, vira eu vira ela e viram todos ai jesus que a chula vem aí ò ana dá lá o jeito ao cabelo que não me encosto à parreira sem o repassear na orelha e carolina debaixo de um braço que já o Manel passou, quem o do rio pois então aquele que veio no corridinho e no meio se fez de ladrão mas coitado de pouca sorte ficou paspalhão... Amigos sem vergonha andando para frente é que é o caminho.

Rodrigo Nmb Rules e de que maneira smilies/smiley.gif
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13 de Novembro, 2008
Alexandre: ...
Discussões produtivas smilies/smiley.gif

12

18 de Novembro, 2008

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