| A-do-baile, a terra das danças |
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NMB Promo por rodrigo gonçalves Pois é, está mesmo quase a seguir para a forno, por isso temos a certeza que dia 14 estão cá fora umas centenas de CD's, ainda quentinhos das queimaduras implacáveis que vão gravar numa bolacha sintética sons acústicos de instrumentos muito nossos (e alguns adoptados): viola campaniça, flauta de três furos, gaita galega, rauchpfeifen, tamboril, timbalão, bombo e caixa. E claro, como não podia deixar de ser, tudo com vozes à bruta. As composições modais são uma constante e os arranjos trazem ao de cima almas irrequietas e mentes inconformistas. Qualquer semelhança com qualquer outra coisa é pura coincidência: a sonoridade de No Mazurka Band é única, para o melhor e para o pior, não deixando ninguém indiferente (claro que vamos ter mais críticas construtivas que agradecimentos efusivos). Os instrumentos, pouco temperados e a roçar a desafinação, expressam a nossa máxima que assumimos sem preconceito: "No rules, no harmony". Uma nova ordem surge das cinzas do tonalismo, e a ditatura do Sol-e-Dó sucumbe ao ímpeto revolucionário de um modalismo emergente. Atrevemo-nos a reinventar danças seculares como o Vira, o Malhão, o Passeado, o Dois Passos e o Corridinho. E claro, tirámos do baú as brincadeiras onde os nossos avós se conheceram e enamoraram. Porque o Folk vivo é um Folk contemporáneo, vibrante, actual a reinventar-se constantemente. E porque o Folk de identidade é a melhor forma de festejar o que nos faz ser diferentes. Por isto tudo e porque sim, apareçam no Entrudanças, para dar um pézinho de dança e brincar à roda ao som destes instrumentos improváveis. Vão ver que não dói nada... O manifestoA-do-Baile, o Manifesto, diz que a regionalização da cultura é, em grande medida, uma invenção dos anos 40; suspeita que há bailes e brincadeiras ancestrais (Chula, Vira, Cana Verde, Malhão, Fado, Marcha) que remontam pelo menos a meados do século XIX e que estavam espalhados por todo o país; desconfia que as danças oitocentistas (Mazurka, Polka, Walsa, Scottish e muitas outras entretanto perdidas) se popularizaram e vulgarizaram no final do século XIX e deram mais tarde origem ao Corridinho, à moda de Dois Passos, ao Picadinho ou integraram outras danças, como é o caso do Vira valseado ou as Saias, onde a Valsa e a Mazurka são muito mais puladas que nas versões importadas; intui que outras invasões existiram, como é prova disso a existência de Fox-Trot, Tango, Baião, Rumbas e Maxixa no repertório dos anos 60; assinala que mais do que uma regionalização, houve vagas de danças que cobriram o país, e que o que hoje observamos é o resultado da seleção popular dessas mesmas danças; acrescenta que nos locais mais remotos de Portugal, onde até há pouco tempo as montanhas eram obstáculos quase intransponíveis, a vaga oitocentista pouco ou nada se instalou, ao contrário do centro e sul de Portugal onde se estabeleceu e "expulsou" as danças ancestrais (mas ainda hoje há Canas verdes e Viras que "resistem" nestas regiões); e remata que, de Portugal, outras vagas partiram para Cabo Verde (como as mazurcas e as contradanças) e para o Brasil (com o forró a ter origem direta nos danças oitocentistas). Comentarios (0)
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Pois é, está mesmo quase a seguir para a forno, por isso temos a certeza que dia 14 estão cá fora umas centenas de CD's, ainda quentinhos das queimaduras implacáveis que vão gravar numa bolacha sintética sons acústicos de instrumentos muito nossos (e alguns adoptados): viola campaniça, flauta de três furos, gaita galega, rauchpfeifen, tamboril, timbalão, bombo e caixa. E claro, como não podia deixar de ser, tudo com vozes à bruta. As composições modais são uma constante e os arranjos trazem ao de cima almas irrequietas e mentes inconformistas. 








