| Entrevista aos Uxu Kalhus - II |
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| Sexta, 27 Março 2009 20:30 | |||
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Para os (poucos) que ainda vão ler isto antes de os ver actuar no Fest - i -ball - e para os outros, que virão depois de gastas as energias e preenchido o coraçao -, aqui fica a segunda parte da entrevista dos Uxu [primeira parte]. Falam-nos da sua filosofia, dos seus métodos...
PP: Conhecendo e partilhando com quem sabe; mas não fazemos recolhas, conhecemos através da partilha directa de experiências, e, claro, partimos do baile como fonte inspiradora; mas não consideramos que temos que ter um conhecimento quase científico das coisas para poder mexer nela. Por isso compusemos danças portuguesas como o Vira ou as Saias, ou danças “europeias” como o círculo ou a mazurca; não temos qualquer problema neste processo: somos músicos que se servem das danças como material para moldar um repertório inovador e original. Não temos a pretensão de ter que ter um doutoramento em viras antes de podermos compor um. A música popular sempre foi do povo. O que nós fazemos é perpetuar essa tradição, e dar vida à música popular.
TZ: Da mesma forma que sempre aconteceu! Pelo método da evolução natural. Quando dizemos que não pesquisamos nem fazemos recolhas referimo-nos ao sentido académico da coisa. Nos Uxu não há fichas de recolha nem catalogações nem inventários. Aprendemos e reproduzimos à nossa maneira, com as nossas influências. O repertório da tradição oral e/ou outro material vem ter connosco e depois fica… ou não. É preciso sentir na pele. Há uma selecção natural que acaba por acontecer sem que façamos “pressing” nesse sentido. Quando estamos juntos tocamos! Seja onde for: muitos temas aparecem nos testes de som ou à mesa de um café ou nas intermináveis viagens de carrinha (quando a dita se digna funcionar). Por outro lado, fazemos música original para formas definidas (como o corridinho, as saias, etc …) e brincamos às coreografias, contribuindo assim para aumentar o repertório de música e dança de inspiração portuguesa. Somos gente e músicos do nosso tempo, com acessos e exclusões característicos dos lugares onde vivemos (e ainda das tradicionais condições económicas, sociais, culturais e outras acabadas em ais). O que propomos é um olhar actual para a nossa música e dança, entendendo o baile enquanto fenómeno social total e totalizante, por isso nos filiamos no NBP [Novo Baile Português]* *ver booklet do CD Transumâncias Groove 6. Apesar de as formações dos Uxu Kalhus e dos NMB apenas convergirem no Paulo Pereira e no Tó Zé, é notória a semelhança de intenções. Quais as diferenças? TZ: Todos os elementos d’Uxu Kalhus têm projectos paralelos, o que vai contribuindo para a abertura de espírito, melhoramentos técnicos e sanidade mental dos músicos e das pessoas dos músicos. Em NMB reencontram-se Paulo das flautas e Tó-Zé das guitarras, no papel de tamboril & afins e campaniço & companhia (qualquer dia não se podem ver um ao outro, porque passam mais tempo juntos do que com as respectivas famílias). Os NMB fazem do acústico o material para a “revolução” e utilizam instrumentos tradicionais (de afinação duvidosa, surpreendente - no sentido de surpresa -, e criativa) na proposta de “re-olhar” o baile, servindo crua a refeição no terreiro. Para além dos músicos (quatro em palco: Ricardo – percussões, Diogo – gaitas e tamboril, Tó Zé – campaniça e vozes, Paulo – flautas e vozes), os NMB desenvolvem uma vertente de laboratório, contando para isso com a ajuda de três animadores/monitores (Lisou, Liliana e Rodrigo) que, em conjunto ou separadamente, fazem parte do processo de aprendizagens (uma vez mais, não recolhas no sentido académico) e do processo criativo. Ambos os projectos contribuem para a diversidade de propostas do NBP. Mais info. sobre NMB em: www.myspace.com/nomazurkaband. Outros projectos de membros d’Uxu Kalhus na net: www.myspace.com/audiblearchitecture » http://profile.myspace.com/eddyslap (Eddy Slap) www.myspace.com/semnata (crooner digital, ciber-corpo do Tó-Zé).
PP: Nunca dissemos que a transumância é só de ovelhas; pode ser de qualquer bicho que se dê a isto das transumâncias, sejam elas ovelhas, cabras, vacas ou mesmo lamas; mas lá está “desperta a vaca que há em ti” ou “desperta a cabra que há em ti” poderia ser mal entendido pelo público... Claro que tudo isto é uma metáfora, onde as transumâncias simbolizam a ligação à terra e a constante viagem que fazemos pelo país e pelo mundo neste CD e o Groove é a nossa abordagem muito particular da música Folk. TZ: (risos) Coitada da ovelha, sempre com conotações negativas (rebanho, carneirada, etc…). A cabra também não tem melhor sorte… Na verdade, estes dois mamíferos simbolizam também a viagem, na procura de pastos viçosos e ainda o sentido gregário (no imaginário social, mais a ovelha que a cabra). É essa a viagem que empreendemos e que desejamos colectiva
Comentarios (3)
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Luis: ... http://forum.dancastradicionais.net/
Parabéns pela entrevista, informativa ao explicar a relação entre os Uxu Kalhus e NMB, e bem-disposta ao fechar com a carneirada (ou ovelhada, para ser mais rigoroso)!
Uxu Kalhus no Fest-i-Ball (fotos de Mário Pires @ Retorta.net) http://www.flickr.com/photos/retorta/sets/72157616143118498/ Uxu Kalhus no Portugal no Coração, RTP1 http://www.youtube.com/user/uxukalhus 1
31 de Março, 2009
~TZ: ... http://www.uxukalhus.net
goostei da ovelhada! vou apontar eheheh
um abraço 2
31 de Março, 2009
Luis: ... http://www.dancastradicionais.net
TZ, olha que se dizem que somos uma ovelhada, uma ovação no fim do concerto pode não ser uma coisa boa: pode significar lançamento de ovos para o palco! Brincadeira, claro!, um abraço
![]() 3
31 de Março, 2009
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5. No vosso site declaram que “não pesquisamos nem fazemos recolhas”. Então, como podem reinventar o tradicional português?
7. Não deixa de ser curioso que uma banda que se assume transgressora e provocativa veja os seus ouvintes como ovelhas. Não deveriam ser… cabras saltitantes?









