| Entrevista aos Uxu Kalhus |
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| Sexta, 20 Março 2009 18:52 | |||
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1. Antes de mais, falem-nos da origem dos Uxu Kalhus. Quem são, como se conheceram, o que vos juntou.
Tó Zé (TZ): Eu sou um “cristão-novo”. Conheço o grupo há muito tempo, mas só fui “evangelizado” em 2006, com um convite surreal por meio telefónico e em manhã submersa, tão ao jeito dos membros da banda com filhos madrugadores… Conhecia o Eddy dos tempos das muitas e variadas bandas de garagem da fervilhante “cena eborense” dos anos 90, em que militámos ambos activamente. Conhecia a Celina das muitas músicas onde andava e conhecia o Paulo pela Pé de Xumbo (na altura, trabalhava na Div. de Cultura do Município de Évora e havia uma relação de proximidade com a Associação, que desenvolvia já uma actividade importante na cidade e no concelho). Conhecia também o Vasco, mais até pelos Dazkarieh e porque me apareceu numa bela tarde solarenga na extinta “Fábrica da Música” com uma gravação dos Daz.; sabia quem era o Nuno, ainda antes da metamorfose para Winga (tínhamo-nos cruzado algumas vezes, quase sempre em situações improváveis) e conhecia o Hugo (Mandinga) pelo seu trabalho em diversos projectos e também, salvo erro, como programador da ZDB. Em 2005, se não estou em erro, a Pé de Xumbo organizou uma residência de Músicos na Herdade da Marmeleira (Évoramonte) e eu, vindo do funk-rock-experimental-o-qualquer-coisa, meti férias da função pública e tive oportunidade de trabalhar com um grupo de músicos “a sério” e filiados na folc e no movimento das danças, entre eles estavam os Uxu… do outro lado da linha, diziam-me que a banda estava num momento de mudança e perguntavam-me se queria participar. Respondi que sim, sem saber bem ao que ia. Mais tarde, consciencializei o processo e perguntei-me como é que um pseudo-músico-dos-tradicionais-três-acordes-do-rock podia “sacar” tantos temas a “mil à hora” e em tão pouco tempo. Liguei de volta. Ninguém atendeu. Fui conhecer os temas à Nazaré, em agradável sábado de sol do Oeste e fui ensaiar à Reca (onde se juntou o companheiro Luís Salgado, Bateria). Primeiro e único ensaio antes da digressão da “Revolta dos Badalos Tour”…
2. Os membros da banda provêm de diferentes quadrantes musicais. Como conjugam todas essas influências? TZ: Uxu Kalhus vivem justamente dessa diversidade. A banda é a soma das partes que, muitas vezes, supera o todo. Orgulhamo-nos de ter uma secção barroca a tocar com a “dark force” do jazz-metal, com inputs de funk-rock a soar a arfro-swing de tradição europeia. Isto é música portuguesa… de fusão. 3. De que fora vos recebem e vos vêem lá fora? Mudam alguma coisa na vossa postura por causa desses factores? TZ: Temos exactamente a mesma postura em qualquer lugar do mundo. Somos o que somos: “what u see is what u get”! Não preparamos exaustivamente os espectáculos nem escrevemos os “set’s” nas toalhas de restaurante. Quando subimos ao palco, sabemos apenas que vamos fazer a festa; decidimos entre temas o que vamos tocar a seguir e improvisamos muito, sempre que nos apetece. Com isto, respeitamos quem decide abandonar o conforto do lar para se deslocar aos nossos concertos/bailes -, damos o que temos e o que somos verdadeiramente. E somos assim: um misto de rigor e improviso, com muita energia! Lá fora há muito mundo. Até agora, temos tido recepções e reacções calorosas em actuações para muitos pés e em lugares tão distintos e distantes como a Alemanha e Macau ou em salas ocupadas com pouco mais de uma dezena de almas, como aconteceu num bar galego “sitiado” numa pequena localidade ribeirinha.
PP: Perdemos a Celina, ganhámos em banda. Continuamos todos amigos, como também acontece com o Vasco Casais ou com o Winga; mas para chegarmos mais longe, amadurecermos como banda e termos disponibilidade para tocar sempre que nos solicitam, esta era a única solução. O importante é que a amizade continua, e concerteza que haverá muitas oportunidades para tocar com a Celina, dentro d’Uxu Kalhus (Uxu Big Lula, etc.) nas jams, em duos, trios e o que mais for. Para fora, tenho a certeza que o que fazemos ao vivo irá cativar as pessoas na mesma. E neste momento, pelas reservas e datas marcadas (até agora mais de 40), a solução encontrada parece-nos ser a mais acertada para podermos evoluir como grupo e podermos ser músicos profissionais. TZ: Uma banda é um colectivo de pessoas, não depende, pelo menos em teoria, da inspiração e transpiração de uma só. Como colectivo, trabalhamos todos para o todo. A saída de um elemento, seja mais carismático ou não, é sempre um momento de mudança e pode ser encarado como um “handicap” ou como uma oportunidade de renovação (qualquer semelhança com a crise económica é pura coincidência). A Celina foi fundadora do grupo (com o Paulo), é uma grande “Música” (assim, no feminino), para além de uma amiga. Como tal, é um elemento incontornável na história da banda. Mas ninguém é insubstituível e, com a saída da Celina, os Uxu Kalhus renovaram-se e ganharam um respeitável cravista/baixista e uma voz quente na linha da frente. Somos sete: André – teclas e vozes, Paulo – flauta e vozes, Tó-Zé – Guitarras e vozes, Eddy – Baixo e vozes, Luís – bateria e percussões, Joana – Voz principal e Samuel – Som e vozes surpresa. Mas ninguém sai verdadeiramente d’Uxu Kalhus -, somos uma grande família e “uma vez badalo, para sempre badalo!” A prová-lo, está a ficha técnica do novo CD, onde figuram actuais e antigos membros oficiais da banda, todos próximos, embora a militar activamente em diferentes projectos. Como todos os que passaram por aqui, estou certo que nos encontraremos com a Celina sempre que possível e quando isso acontecer far-se-á uma festa, a celebração do encontro dos badalos! Comentarios (2)
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antonio augusto matias: ...
uma vez badalo, badalo para sempre. Celina foi mas está lá. UXU power!
1
21 de Março, 2009
Luis: ... http://forum.dancastradicionais.net/
Parabéns pela entrevista! Até à próxima parte, porque abriu o apetite para mais.
2
23 de Março, 2009
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| Actualizado em ( Sexta, 20 Março 2009 19:46 ) |






Divertidos, apaixonados, frontais. Irreverentes e sem grande respeito pelas normas vigentes, fazem da dessacralização do que é nosso um porta-bandeira e do baile a fonte que os inspira. São, afinal, extraordinariamente simples. Convosco, os Uxu Kalhus, numa entrevista que, por demasiado grande, dividiremos em três partes, uma por cada semana.








