Apresentação de "Tarab" dos Danças Ocultas PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Quarta, 23 Setembro 2009 22:51

3 Outubro 2009, Lisboa, Teatro São Luiz, Jardim de Inverno, 18h30

O conceito Tarab, usado no Norte de África, assenta na ideia de um nível superior de consciência colectiva atingido numa performance,partilhado entre artista e público.
Na sequência do álbum “Pulsar” (2004), e da convivência com outros instrumentos e vozes surge Tarab; um regresso ao ensemble original, com incidência na aptidão expressiva da Concertina e na capacidade emotiva da própria música dos Danças Ocultas.

“Tarab” é também um novo formato de espectáculo, com elementos multimédia interactivos, de reacção sonora e emocional decorrentes da música. As melodias, harmonias e ritmos de cada uma das concertinas criam formas e imagens numa tela branca no fundo de palco. Estes elementos visuais aceleram, abrandam e entram em suspensão, enfatizando as dinâmicas e os movimentos da música, com referências à ruralidade e ao cosmopolitismo do nosso tempo.Aqui se revela a capacidade de Danças Ocultas em criar pontes entre a tradição e a contemporaneidade.

 

 

Pela voz dos próprios, em entrevistas às crónicas da terra, fica o véu levantado do que nos trazem as mãos habilidosas de Águeda.

"No “Pulsar” houve uma clara aposta dentro do grupo de provar que este é um projecto muito alternativo, mas a música que fazemos permite juntar um bandolim, uma voz, um clarinente, um contrabaixo. Foi uma tentativa de demonstrar o cosmopolitismo da nossa música.

Tendo ficado isso provado, pensamos nós, não sentimos necessidade de voltar a repetir fórmulas. Por outro lado, durante os últimos dois anos, começámos a fazer, em termos de estratégia de ensaio, aquecimentos em que pegávamos num ritmo fixo e íamos improvisando. Ou, por exemplo, íamos improvisando por cima de um único acorde sempre constante. Este processo, lenta e gradualmente e sem darmos por isso, começou a levar-nos para uma estética muito próxima do que é a música africana: a de encontrar o êxtase pela repetição. Isto foi-nos moldando para um repertório que está aí a vir e que hoje já apresentámos algumas coisas, que é precisamente a obstinação de determinados elementos. Começámos a perceber que esse tipo de estética não precisava de músicos convidados. Lenta e gradualmente, chegámos aqui. São das tais coisas que nunca notamos no momento das viragens. Só mais à frente, olhando para trás, é que notamos que isto está a acontecer. Sentimos que era um caminho interessante. Começámos a testar estas músicas em concertos e começámos a verificar que mais facilmente as pessoas entravam no «filme», na «viagem».

Inclusivamente, descobrimos uma palavra árabe que quer dizer a elevação espiritual com que o público fica quando assiste a um espectáculo, a uma recitação poética: tarab. Que é também o nome de um dos discos do Rabih Abou-Khalil. Sentimos que, com este tipo de abordagem estética pela repetição, mais facilmente levamos as pessoas connosco, na nossa viagem."

 

Comentarios (2)add comment
Estive em Sines nessa gravação e vi-os também este ano a "jogar" em casa.
Gosto muito desses quatro senhores!
1

24 de Setembro, 2009
André: ...
Estes quatro senhores tiveram uma coragem que invejo do fundo.... da ambição.
Partidos de um sítio pequeno, sem os holofotes a mostrar o caminho, souberam construír uma obra, uma forma, um sentido e trazer um instrumento das penumbras do inferno.
A todos eles os sinceros parabens para quem sente o que faz e acredita que o pode levar ao porto de ouro.
2

24 de Setembro, 2009

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