| Melech Mechaya - ou os Reis da Festa |
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| Terça, 23 Junho 2009 17:54 | |||
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Granitos Folk 2009 - os Melech Mechaya estiveram presentes e trouxeram com eles Budja Ba, a deusa da alegria. O público deixou-se contagiar pela euforia destes cinco jovens de Lisboa, num espectáculo que misturou as vibrantes sonoridades do klezmer com uma vertente teatral e de comédia.
Fomos encontrá-los cansados mas satisfeitos. A alegria, essa, parece inesgotável para os «reis da festa», como nos dizem significar, em hebraico, o nome do grupo. A história não é longa, mas é cheia de diversão e, porque nem tudo é festa, muito trabalho. Melech Mechaya é um projecto recente mas que conquistou já um lugar no panorama da world music em Portugal. Com apenas dois anos de existência ganham destaque ao serem um dos único grupos a apresentar um reportório inteiramente baseado no klezmer - «Na verdade achávamos mesmo que éramos os únicos», responde André Santos, o guitarrista do grupo, «mas há pouco estivemos a falar com um senhor que nos disse que também era músico de klezmer em Portugal. E ele disse o mesmo: também achava que era o único». Parte do grupo já trabalhava noutros projectos quando surgiu a ideia de tocar música tradicional judaica, a partir de um livro de João Graça, o violinista. A energia fora de série deste género musical e a vontade de fazer algo diferente, como referem Francisco, percussionista, e João, foram o impulso necessário. Klezmer é a palavra de ordem. Não será, no entanto, demasiado restritivo? O grupo está de acordo em admitir que a ideia de um reportório exclusivamente klezmer é um mito. «As melodias partem da escala klezmer, no entanto é apenas isso: um ponto de partida», refere André, «temos imensas influências». Miguel Veríssimo, do clarinete, vai mais longe, «em certa medida é um rótulo que nos permite de forma rápida explicar o tipo de música que fazemos. Não podemos simplesmente dizer que fazemos um estilo de música diferente e indescritível». As sonoridades judaicas misturam-se com sonoridades flamencas, ciganas e mesmo tradicionais portuguesas, sem no entanto perderem o tom festivo que as caracteriza. Exemplo disso é o tema Chapéu Preto, que parte de uma música tradicional portuguesa, ou a música Sabituar, sobre a qual Miguel insiste em revelar a influência dos Beatles, a contragosto dos colegas de grupo. Dentro do klezmer internacional há referências incontornáveis para o grupo, como os Klezmatics, que assumem ter uma importância fulcral para a banda, «nós vimos os klezmatics na culturgest dois meses antes de começarmos os nossos concertos ao vivo e marcou-nos muito», resume João Graça, ou Fanfare Ciocarlia, a que assistiram na Festa do Avante e que decidiram homenagear com a música Fanfarra. A aproximação a este género musical faz-se dissociada de qualquer raiz cultural, como explica Miguel Veríssimo, o que lhes permite trabalhar o klezmer sem pudor, o que não aconteceria se trabalhassem com o fado, por exemplo. No entanto, «a nossa intenção não é desrespeitar o klezmer tradicional, mas sim aprender mais sobre ele», acrescenta Francisco. Mito ou realidade, a verdade é que é difícil falar de Melech Mechaya sem a referência constante ao klezmer, que tão bem se reflecte nas suas sonoridades. Outra prova disso é a dança, factor determinante nas composições de música festiva judaica e que deixa as suas marcas no público de Melech Mechaya, incapaz de permanecer quieto perante sonoridades tão entusiásticas. Se por um lado não hesitam em admitir a pouca aptidão para a dança, logo admitem também que esta é realmente importante tanto no momento de compor como nos espectáculos ao vivo. «Somos muito maus a dançar, dez pés esquerdos nesta banda», admite Francisco Caiado, «mas gostamos de fazer os outros dançar, é isso que nos move». «Com os nossos instrumentos dançamos como loucos», acrescenta Miguel Veríssimo, em tom de brincadeira. «Quando estamos a trabalhar nos arranjos ou mesmo nas músicas novas, tentamos sempre ver o que é possível fazer com o público», diz Miguel. Esta interacção está bem presente nas actuações de Melech Mechaya e o Granitos Folk não foi excepção: por três vezes o público foi convidado a subir ao palco e a tomar um papel activo na festa, como parte integrante do espectáculo. A presença no Andanças no ano anterior leva-nos a questionar um possível conceito de concerto-baile, com workshops de danças judaicas, porém é uma ideia que para já não faz parte dos projectos do grupo, «talvez não fosse muito coerente com o tipo de espectáculo que temos montado», responde Miguel, «importa-nos que as pessoas dancem de forma espontânea, que dancem como quiserem!», conclui João Sovina, contra-baixista. O álbum que acabam de lançar, Budja Ba, é uma experiência nova para o grupo. Apesar de satisfeitos revelam que não foi fácil passar a euforia do espectáculo ao vivo para a gravação. «Ao vivo temos três componentes muito importantes: a música, a interacção com o público e as palhaçadas que fazemos», destaca Miguel, «na gravação duas dessas componentes desaparecem por completo!». As perdas são compensadas por um maior tratamento das músicas, pela introdução de sonoridades diferentes e por convidados especiais. «Mesmo os temas que costumamos tocar, têm coisas novas, arranjos diferentes…», esclarece o guitarrista, «procuramos fazer algo diferente». O lançamento do álbum, no Teatro da Comuna, marcará uma nova fase do grupo, «É uma espécie de ponto zero. Um momento onde paramos tudo outra vez e recomeçamos», diz Miguel. Do panorama musical português referem a pequena dimensão do movimento: «Fazemos parte de um conjunto de bandas de world music que tocam para um grupo restrito de pessoas», diz o violinista do grupo, «mas sentimo-nos perfeitamente integrados». Depois do périplo pelas FNAC, na divulgação do novo álbum, e do Granitos Folk, ao qual tecem rasgados elogios, Melech Mechaya marcarão presença no Festival de Músicas do Mundo, em Sines, e terão, em breve, mais uma experiência importante: o concerto no Špancirfest, em Varaždin, na Croácia. De uma conversa animada e repleta de gargalhadas, concluímos que Melech Mechaya se revelam em palco como são fora dele: irreverentes e cheios de energia, uma trupe que expressa na música o à vontade e o bom humor com que socializa. Comentarios (1)
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| Actualizado em ( Domingo, 28 Junho 2009 22:10 ) |















