D'un Jour Au Lendemain PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Domingo, 29 Novembro 2009 14:49

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DJAL, formaram-se há 15 anos, de um dia para o outro, como o próprio nome indica -d'un jour au lendemain. Após várias mudanças na formação, na qual se mantêm neste momento apenas três elementos do grupo inicial, Djal é um dos grupos franceses de baile/folk com mais sucesso internacional e a sua música é presença incontornável nos bailes dos amantes do folk em Portugal. O seu nome associa-se inevitavelmente ao colectivo Mustradem, que tem desempenhado um importante papel na difusão do neo-folk francês. À conversa com Sébastien Tron (sanfona) e Stéphane Milleret (acordeão) tentamos conhecer um pouco melhor de que forma o movimento trad se tem desenvolvido em França.
 
Definem-se como um grupo de baile e não de concertos pois assumem que a dança e a música são indissociáveis, «existe desde logo uma grande dinâmica corporal associada à prática do instrumento», afirma Sébastien, no entanto, a miscelânea das suas sonoridades, entre o jazz, o folk, as influências tradicionais francesas, europeias e árabes, cria uma provocação em torno do baile tradicional. «Quando reinterpretamos temas tradicionais procuramos que sejam sempre dançáveis, mas não necessariamente como seriam tradicionalmente. Procuramos levar o público a questionar os seus próprios movimentos», explica Stéphane. Estas diferentes influências encontradas na particular sonoridade de Djal surgem não como uma intenção, mas como uma consequência das diferentes identidades e formações dos sete músicos que compõe Djal. Sébastien, por exemplo, embora sempre ligado à música tradicional por laços familiares, começou a sua formação com música clássica e jazz, até que em 2003 entrou para o grupo, com a saída de Daniel Gourdon. «A única intenção é colocarmo-nos a nós próprios nos temas que criamos», concluí Stéphane.
 
Inseridos noutros projectos musicais, alguns elementos do grupo tinham já estado em Portugal, nomeadamente no Festival Andanças, mas enquanto grupo, a primeira visita de DJAL foi na última edição do Granitos Folk. A impressão é boa, «Aqui sentimos que o movimento está realmente vivo!», dizem-nos. «Tal como a Bélgica, Portugal parece conseguir misturar a energia tradicional com a força do rock, levando a uma maior adesão dos jovens», justifica Sébastien, «genericamente o público é mais jovem, mais eclético e mais variado do que em França. Isso é bem claro no Andanças, onde tanto encontramos ranchos folclóricos, como um DJ a passar Bob Marley e ao lado um grupo de neo-trad.» Simultaneamente os músicos portugueses, a quem Stéphane elogia a humildade, abertura e vontade de aprender, conseguem manter uma forte identidade cultural, o que, segundo Sébastien, nem sempre acontece noutros contextos «Na Bélgica não conseguimos distinguir claramente o que é um grupo tradicional - o que existe é uma cultura rock com alguma influência tradicional.» 
 
Tal como em Portugal, na Bélgica ou em Itália, também em França o meio é muito pequeno, «estamos sempre a cruzar-nos com as mesmas pessoas», diz Sébastien. «Acontece que não existe uma ligação entre a cultura tradicional e a world music, salvo, talvez, com a música da Bretagne», explica, «não nos é possível aceder aos grandes festivais, onde existem músicos africanos, asiáticos ou da América do sul. Ao não existir essa comunicação, o meio torna-se de imediato mais limitado». «Só conseguiremos crescer quando tivermos audiência nos media, caso contrário é muito difícil conseguir viver enquanto músico profissional. Se existem medias, existem organizadores, existem investidores, mais ocasiões para tocar, mais público e mais medias…é um ciclo vicioso», completa o acordeonista. 
 
Stéphane salienta a dicotomia existente no movimento folk francês, opondo uma visão conservadora e tradicionalista a uma vertente mais jovem, mais aberta e disponível, «o folk tem de evoluir! O público é mestiço, os músicos são mestiços, as músicas são mestiças!».  Louvam o trabalho desenvolvido em iniciativas como o Andanças ou o Gennetines, que aproximam as danças do público, mas exigem uma maior vontade de aprender por parte dos músicos: «é preciso compreender que há que trabalhar a oralidade, a tradição, mas aprender também outras ferramentas musicais - a teoria, o ritmo…», defende Sébastien.
 
É neste sentido que surge Mustradem - musiques traditionelles de demain - músicas tradicionais do amanhã, um conjunto de pessoas com vontade de ir mais além que a transmissão oral, «procuramos a técnica mas também a teoria, trabalhar com pessoas que, sendo de diversas áreas, convergem no folk - desde os músicos aos fabricantes de instrumentos», explicam. Mustradem é uma associação, mas também uma empresa, no sentido em que é uma entidade empregadora, e, sobretudo, um colectivo de músicos. Formou-se em volta de Dédale e reúne actualmente outros nomes destacados no panorama francês, tais como Djal, Musical Kinematic Factory, Frères de Sac, Isabelle et Norbert Pignol, etc. «Desta forma potencializamos uma grande partilha de experiências, uma vez que tanto trabalhamos com duetos como com grupos maiores, com grupos de baile como grupos de concerto…». Ao longo de quase 20 anos, Mustradem reuniu alguns dos mais conhecidos nomes da música folk francesa, como Dédale, DJAL,  Vachinton.g, Boréale, La Machine, Alambic ou Antiquarks, tendo editado 21 álbuns, todos eles disponíveis na loja online.
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