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(por André Moutinho, autor do programa canto nómada )
…a cultura popular portuguesa em todas as suas vertentes tem gente que se preocupa com ela. É a minha convicção… Talvez o GEFAC não seja agora uma instituição de grande visibilidade pública nacional, mas é certamente das mais importantes e competentes que existem a bem do nosso património cultural português. Nascido em Coimbra, no seio da AAC – Associação Académica de Coimbra, em 1966 com parte dos elementos do extinto GUDR – Grupo Universitário de Danças Regionais e parte também da então secção de danças da TAUC – Tuna Académica da Universidade de Coimbra, o GEFAC – Grupo de Etnografia e Folclore da Academia de Coimbra cedo se impôs culturalmente em todo o lado onde passava.
Comemoram-se pois, ainda nesta altura, os 40 anos deste Organismo Autónomo da Associação Académica de Coimbra (a mais centenária das associações estudantis) com uma panóplia de actividades que começaram em Outubro último e que culminam com a realização destas XII Jornadas de Cultura Popular de acontecimento bienal que vale a pena dar atenção. Voltando um pouco atrás, dizer que a falta da visibilidade que o GEFAC merece ter deve-se ao facto puro e simples do amadorismo com que estas associações funcionam. Tendo uma base principal em estudantes universitários, que têm os estudos e outros interesses em primeiro lugar, é difícil dar um cunho mais profissional a um grupo que o podia ter, sem problemas. Mas mesmo assim as experiências adquiridas pelo GEFAC nas suas viagens foram determinantes para o sucesso do seu trabalho. É certo que as histórias das viagens do GEFAC ficam sempre registadas numa espécie de livro de ponto, mas só quem lá passou e viveu de uma forma desinteressada mas apaixonada o grupo, se apercebe da vastíssima identidade cultural de tantos anos de existência. Falo, por exemplo, do peculiar museu, da biblioteca, das recolhas feitas sobre a música tradicional portuguesa por quase todo o país das quais tivemos a oportunidade de as cantar e tocar, das recolhas feitas de Teatro Popular Mirandês directamente na “fonte” nos anos setenta, dos quilómetros palmilhados pelos autocarros que nos levaram às mais recônditas localidades, nem quem pelo meio, talvez pela excitação da viagem, aconteçam alguns acidentes pelo caminho… Falo, ainda, dos muitos instrumentos antigos que o GEFAC possui, da escola de música e, no fundo, da escola cultural que muitos (bons) músicos da nossa praça tiveram o privilégio de a frequentar. E a oportunidade de ouvir os “mais velhos” a cantarem as modas do tempo deles? Entre outras… Antes do 25 de Abril, sem qualquer reconhecimento das entidades oficiais, o GEFAC sempre se apresentou a público com uma dignidade fora do comum, não perdendo as suas próprias convicções, não deixando de promover grandes discussões, mas paulatinamente lá ia por aí, recolhendo e mostrando as suas danças da Nazaré, das Beiras, do Minho, etc.… acompanhadas com uma tocata que começava também ela a dar os primeiros passos. Mas mesmo nesse tempo, a apresentação dos espectáculos ao vivo já eram diferentes dum simples rancho folclórico, porque a preocupação estética dos chamados espectáculos gerais, (sempre, como hoje, com uma forte componente de danças, cantares e representação) já era um marco bem diferente dos grupos portugueses. Com o 25 de Abril [NA: aqui fica também a minha referência e homenagem nestes 33 anos de liberdade], também o primeiro apogeu do grupo foi atingido. Apareceram as primeiras viagens ao estrangeiro (à Rússia, à Alemanha, entre outras) e, sobretudo, apareceram os mais de 50 espectáculos por ano, que faziam com que o grupo tivesse actuações quase todos os fins-de-semana. Recordo um cartaz exposto na sala em que encontramos a promoção, numa qualquer localidade portuguesa, dos então “desconhecidos” Trovante a fazerem a 1ª parte do … GEFAC! É fácil entender que o GEFAC teve sempre (e terá, julgo eu) uma grande preocupação humanista e principalmente, evolucionista destas coisas. Sem perder o rumo que delineou, esteve e está sempre na primeira fila dos debates e das lutas que se foram e vão travando, das preocupações políticas, sociais e de carácter associativo. Preocupações até (recentes) com o edifício da Associação Académica de Coimbra e os seus espaços contíguos, com os Organismos Autónomos, com o ressurgimento do fado de Coimbra pós-Abril, entre outros. Por tudo isto dizer que, para além da autoridade e importância que todos nós que sejamos minimamente inteligentes dará ao GEFAC, é um grupo de amigos que me interessa acarinhar sempre e, principalmente, ter o prazer de colaborar. Uma nota final para dizer que sem qualquer pretensiosismo de escriba, aqui fica a minha colaboração com o site “Rodobalho” e, principalmente, a minha singela homenagem ao GEFAC que sempre em festa e alegria nos deu, dá e dará cultura, pelo menos, para mais 40 anos. André Moutinho (Canto Nómada canto-nomada.blogspot.com)
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