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O Andanças em quem o vive PDF Imprimir e-mail
Escrito por Administrator   
18-Jul-2007
por: Girassolei (Pseudónimo) 
 
Gosto do Andanças!

Confesso que não fui ao Andanças pelo convívio mas sim pela dança.

Andanças vir razão O facto de existir um festival cuja programação incluía aulas de dança durante todo o dia e bailes à noite...fascinava-me.

Gosto de dançar, diria mesmo que sou viciada em dança e gosto de dançar em todo o lugar e em qualquer altura. Não danço tudo mas também não o deixo de fazer.

O convívio veio naturalmente para se dançar não é necessário conhecer quem nos cerca...dança-se e pronto, estabelece-se uma ligação entre as pessoas, muitas das vezes imediata e temporária. O conviver faz parte, é uma peça imprescindível..não faz sentido separá-lo...
É um festival diferente pelo o efeito que provoca nas pessoas. Encontramos todo o tipo de pessoas: os que vão desde [os tempos] em que o Andanças ainda não existia, os que já entranharam o festival de tal forma que todos os anos voltam e o vêem como o inicio do ano ou o fim do ano; os que  já dançam qualquer coisa e resolvem ir, os que não dançam e resolvem ir porque ouviram falar..., os que gostam e acampar e levam a família com eles,  arrastam amigos com promessas e que vale a pena ir ao festival, nem que seja pelos mergulhos no poço azul [embora a maioria nunca chegue sequer a molhar o dedo grande o pé devido à quantidade de coisas para fazer, ver, aprender], os que vão porque são músicos, os que que vão porque bailam, os curiosos que iam a passar por ali e disseram "ja que aqui estamos porque não dar um salto?", os que vão sozinhos, os que planeiam o Andanças do ano seguinte ainda este não vai a meio ....

Não importa as razões pelas as quais acabamos no meio do Andanças e nos embrenhamos nele.

Quem estiver com atenção nota que as pessoas se transformam. Um dos primeiros indícios é a transformação no modo de vestir. No primeiro, segundo dia ainda as t-shirts combinam com os calções, os cabelos ainda estão alinhados, há um certo cuidado no trajar...a partir do 3º dia quanto mais confortável melhor... é como que, por magia, todos relaxam e se apercebem-se que não há compromissos em Carvalhais.
Os horários são esquecidos, as regras são outras...ninguém se importa de ter de voltar para uma tenda todos os dias [ou todas as manhãs] no meio de pó e calor, ouvir o sino a tocar de meia em meia hora, a missa aos domingos de manhã, tomar banho nos contentores [de água fria por se ter acabado a quente], aguentar as filas da cantina, dormir ao som das batucadas, das anedotas contadas nas tendas a metros de distância, a onda de imitação de sons que todas as noites à hora de jantar enche o ar, das moscas que não deixam dormir à tarde, de andar descalço no meio da relva, de lavar os dentes a olhar para as verduras da horta da escola, de passar pelas outras pessoas de sorriso nos lábios, simplesmente porque dançaram durante toda a noite, de meter conversa com alguém sobre aquele passo cheio de reviravoltas que o professor de galegas ensinou enquanto... se espera para lavar o prato e os talheres.

No meio de tudo isto, e muito mais, passar 7 dias a conhecer e conviver com pessoas, de quem, após o fim do  festival, não saberás  o nome. Cruzar-se de novo no meio de Lisboa ou no comboio a caminho de Portimão e por mais que tentes não consegues recordar do nome. Mas tens a certeza que o culpado é... !

É complicado transmitir o que é aquela semana a quem não vai, simplesmente porque não se explica em palavras a boa disposição, o bem estar que provoca e para complicar as coisas cada um tem uma percepção diferente do que é o festival.

Pode ser culpa das endorfinas, da adrenalina, da proximidade física, do excesso de oxigénio no ar, do convívio, de se fazer algo que se gosta, de se experimentar liberdade de escolha, sem tempo para nada e ao mesmo para tudo....explicações há muitas e nenhuma delas é suficiente para explicar o Andanças ou relação que se tem com ele.

É curioso falar em tempo para tudo e para nada num festival que é feito de horários, há sempre algo que começa agora e acaba dali a um tempo....a diferença é que se não se faz agora faz-se amanhã ou faz-se outra coisa qualquer...talvez a noção de liberdade advenha do facto de se ir até lá porque se gosta.
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Comentarios (1)Add Comment
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escrito por rosário, Setembro 21, 2007
olá girassolei!
ao ler o texto sorri!acho que é o efeito andanças:não consegues descrever o que sentes, mas sabes que é bom!ler o teu texto fez-me rir pelas coisas que descreves e que eu sinto da mesma forma. porque aquela semana é, de facto, uma janela no meu ano.parece que começa ali, ou acaba ali, como tu dizes. era bom que "cá fora" eu sentisse mais um pouco do ambiente feliz e de comunicação que sinto lá.
viva o mundo andanças!!!

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Actualizado em ( 18-Jul-2007 )
 
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