Ouvi-os apenas uma vez, há dois anos, no Festival de Música Tradicional Portuguesa da Casa da Música. Na sala2, acho que não cheia mas bem composta, o grupo causou estranheza na plateia. Em alguns momentos a sonoridade tradicional marcava posição, mas o resutado final geral ficava muito aquém/além disso. O público não digeriu a tal estranheza inicial, que se manteve ao longo de todo o concerto. E o calor humano e a boa recepção das plateias portuenses esfumaram-se naquela noite... Os aplausos finais não duraram nem o tempo de os músicos chegarem à porta de saída do palco...
Não vou dizer que apreciei o concerto, não foi o meu estilo musical mas valorizei o conceito e, portanto, custou-me aquela frieza final da plateia... Passado uns tempos, uns amigos que me ouviram falar sobre os grupos do Festival, ofereceram-me um CD deles... O design é fabuloso, pois a caixa de cartão envolve um azulejo real que serve de suporte ao CD. «Gritar o Fado Revisitado» é, como o nome indica, uma nova visita a músicas já editadas, desta vez, na companhia de vários convidados, dos quais eu até conhecia alguns. Decidi dar-lhes uma nova oportunidade... mas ainda não foi dessa que acompanhei a sonoridade do grupo... e o CD foi ficando esquecido na prateleira... Nunca mais ouvi falar deles...
Nestes últimos tempos, a propósito de uma troca de ideias aqui no peixe, lembrei-me do grupo e do seu conceito. Limpei o pó ao CD e fui procurar mais informação. Continuo a não morrer de amores pelas versões do meu CD, mas outras músicas e versões que fui encontrando já ferem menos o meu ouvido delicado. Independentemente disso, e, tendo em conta a filosofia do grupo, achei que mereciam uma apresentação...
O conceito que defendemos é a total liberdade estética para todos os tipos de criações artísticas divulgadas neste movimento. Defende-se acima de tudo a genuinidade da arte sem complexos, rótulos ou estereótipos fictícios que provêem de opiniões criativas mal formadas.
Quanto ao grupo, propriamente dito, descrevem-se no seu MySpace:
O projecto Fadomorse surgiu há oito anos atrás em Trás-os-Montes, nos quais tem vindo a desenvolver uma forma única de intervir culturalmente junto do público menos cultivado na alma e no sentir nacional, através de intervenções culturais e com a edição por meios próprios de registos discográficos.
A música e a poesia são assim, os meios de propagação da mensagem construtiva para um futuro cultural de um povo, no qual o projecto Fadomorse se empenha com todo o profissionalismo e singularidade, levando até vós um espectáculo único, digno do melhor conteúdo cultural que vai desde as raízes populares portuguesas até ao expoente moderno da sonoridade do mundo.
Resta dizer que «Folklore Hardcore» - nome bastante sugestivo! - é o título do seu álbum mais recente (a sair no próximo mês). E, para os interessados/curiosos, aqui ficam as próximas apresentações ao vivo:
- dia 18/Abr (6a), Maia (Tertúlia Castelense), 23h - dia 24/Abr (5a), Santa Iria da Azóia, 20h - dia 30/Abr (4a), Porto (FNAC do Norteshopping), 18h30 - dia 2/Mai (6a), Águeda (D'Orfeu), 23h
[Custa-me escrever textos a dizer que não gosto de algo quando é apenas uma questão de opinião puramente subjectiva e não uma apreciação fundamentada... Mas como não gostamos todos do mesmo, acho que vale a pena - não é o meu estilo, mas há-de ser certamente o estilo de alguém... E o projecto em si merece destaque. É claro que, se objectivo é divulgar, eu podia simplesmente ocultar a minha opinião, mas é uma questão de honestidade pessoal...]
Parabéns pelo artigo e pela forma como expressas a tua reacção do CD. Hoje quando abri a página fiquei. É pá! Nem tanto por não gostar da música, que não me diz absolutamente nada, mas por uma forma Kitsch de revisitar e interpretar. Juntar icons - formas, cores e sons - apenas porque se quer, para lhe fazer uns arranjos "porreiro pá" de uma forma que faz recordar nulidades como "Cebola mole" ou "Zé cabra".
... escrito por mspinky,
Abril 17, 2008
Eu por acaso tenho uma opinião muito ambigua sobre eles... descobri os por acaso, quando pesquisei a palavra folk lore no google... Por um lado acho linda a estranheza por outro parece me muito rebuscado, estranho... mas vai a muitos sitios e é giro a estética pimbo revolucionária mas acho que lhe falta alguma coisa... mas o inda ha pastores é genial... por mais estranho que seja.. até lhe acho piada mas que ha qualquer coisa ali e que ainda podia ser mais... sim decidamente sim... Mas acho que brilha pela estranheza por ser dificil de ingerir... é bom que haja projectos assim... venham mais.
... escrito por André,
Abril 19, 2008
E conversa puxa discussão.. andei por aí tirar agulhas de outras coisas feitas. A imagem que tinha dos fadomorse-há-uns-valentes-anos no Carviçais Rock que queriam fazer uma cena cool-com-uns-instrumentos tradicionais, mas a quem a Guitarra de corda dupla fazia confusão.... Espiolha video aqui, musica ali.. concedo que o "Cebola Mole" ou "Zé Cabra" é injusto, ainda que um "manifesto" a por-se em bicos de pés lhes tire muito do mérito.
... escrito por Ana Bica,
Abril 19, 2008
Pois não conhecia isto...
Depois de uma pesquisa no google, bom, fiquei com uma ideia de grande misturada. Não costumo comentar bandas, mas hoje deu-me para aqui.
Ora cá vai a minha opinião: achei que nos temas Matraquilhos dos Pobres e Inda Pastores há alguma preocupação com a transformação ou o uso de sonoridades tradicionais, das quais francamente gostei.
Depois em outras músicas, com outras bases (mais pop umas, mais rock outras), há uma introdução do som de instrumentos ditos mais tradicionais como flautas, gaitas, cavaquinho etc, completamente ao serviço desses outros "estilos", usados mais como enfeites. Em outras musicas ainda não há nada disso. Eu gosto muito de rock, hard rock e afins, gostei do som mais pesado de alguns temas mas...
No final do que ouvi (e deve haver muito que não ouvi) fiquei com uma ideia de desuniformidade. Não encontrei um som próprio que se identifique com o grupo. O que tem vantagens (não enjoa) e desvantagens (não fideliza, não constrói sonoridade). Não acho o som estranho nem dificil de digerir, mas mantenho a sensação de ambiguidade que acho que vem da misturada desconexa. Parece-me uma tentativa de sopa em que cada ingrediente foi cozido à parte e posto em água... não criou caldo e não fundiu sabores. Pode ser que crie se deixado ainda a ferver eheh .
O "manifesto" da banda, nas suas intenções e na musica Fadomorse, incomóda-me um bocado, mas isso já é de fetio (meu ). Não aprecio o tom de "iluminados"!
«parece me muito rebuscado, estranho ... mas acho que lhe falta alguma coisa...»
«fazer uma cena cool-com-uns-instrumentos tradicionais»
«fiquei com uma ideia de desuniformidade. Não encontrei um som próprio que se identifique com o grupo. ... mantenho a sensação de ambiguidade que acho que vem da misturada desconexa. Parece-me uma tentativa de sopa em que cada ingrediente foi cozido à parte e posto em água... não criou caldo e não fundiu sabores»
Concordo convosco, há ali alguma coisa - e, sim André, não é propriamente Zé Cabra... - que por um lado parece de mais, e por outro parece que não chega a lado algum. A "sopa" da Ana está genial! É isso mesmo.
... escrito por mspinky,
Abril 20, 2008
Pois a sopa, dizia muito coisa, mas claro que me incomoda quem não gosta do tom de iluminados... de tempos a tempos esse tom é bem preciso... e mesmo que não se seja iluminado às vezes aparecerem novas formas de tentar mudar o marasmo são necessárias... O que é preciso combater são as seitas e os fundamentalistas de resto tudo é válido e continuo na minha o inda há pastores, é genial... Falta-lhes trabalho... de resto a irreverência está lá e é bem necessária.
... escrito por André,
Abril 20, 2008
Pois... e quando na ânsia de combater.. se torna fundamentalista?
... escrito por mspinky,
Abril 20, 2008
Desculpa fundamentalista é não gostar de tons de iluminados... eu aceito tudo voçês aqui acabam por ser mais preconceituosos que eu... vejam lá que eu taé sou o unico a defender os fadomorse... agora eu desconfio dos que falam e não produzem... dizer mal dos artistas e criadores e não criar... desculpem lá...
So queria perguntar, a quem escreve o artigo se realmente esteve no mesmo concerto que os fadomorse na casa da musica? E agradecer o bom gosto de todos...
A quem escreve o artigo, relembro que os fadomorse nao tem editados so um disco mas sim 4, 5 com o folklore hardcore, era bom antes de escrever ter conhecimento de todo o trabalho do grupo e nao apresentar uma critica sobre um novo disco e sobre um projecto de 2008 baseada num disco que foi gravado em 1999 e editado em 2002. E quanto ao senhor andre, se quiseres podes vir partilhar palco com os fadomorse, onde poderas por em pratica toda a tua influencia musical baseada em ze cabra e cebola mole.
Pois e o sr Hugo esta indignado e com razão... Cebola moe é baixo é que nem eu... sou assim tão radical... Grande Hugo defende te mas há coisas c que sabes que ainda faltam fazer... certo???
... escrito por Andre,
Maio 01, 2008
Hugo, lamento que perante uma critica à forma, construçao e conceito musical, argumentes "ja temos 5 CDs", "ja fizemos um concerto na casa da musica" e "se quiseres, podes fazer melhor". Não tem um projecto mais coerente de "intervençao cultural", como afirmam, além dos números e locais da moda?
Pessoalmente declino o convite para o palco. Não gosto dele.
Mas que critica? sim ignorancia, e qual o problema de termos 5 cds editados em edicao de autor, quantos tens? e qual o problema de termos tocado na casa da musica? Nao gostas do palco ou nao gostas de ti? HC
... escrito por Andre,
Maio 17, 2008
Problema com edições de autor? Absolutamente nenhum. Mérito apenas. Problema com a casa da música? Nenhum. Problema com Fadomorse? De todo. Mas faz-me confusão que um grupo que se propõe "intervir culturalmente" se esconda nas acusações de "ignorância" e "sabes fazer melhor?". Assumi que tinha uma imagem distorcida do vosso projecto. Que desde Carviçais nunca mais me tinha cruzado connvosco e portanto havia trabalho entretanto de mérito.
Onde está a vossa "intervenção", se não há vontade de discutir o que fizeram, o que fazem ou para onde vão? Chama-se, a isso, "intervenção cultural" ou arrogância e cegueira?
... escrito por luis,
Maio 20, 2008
eu gosto....quando a intelectualidade se põe em prática... "seremos muitos, seremos alguém..neste teu Portugal" Fadomorse é o código deste país!
... escrito por jorge correia,
Junho 04, 2008
É pá cum catano. UM CONVITE PARA TOCAR NOS FADOMORSE????? EI!!!! Também quero.
Caros, para quê tantas farpas? Somos poucos neste jardim à beira mar plantado para nos deceparmos uns aos outros até que um dia não há ninguém nas margens do rio para falar de quem por lá navega. Quanto aos FadoMorse, e ao seu último trabalho, aqui vos digo que é preciso ter algum conhecimento, mais do que a simples e imediata sensação ou de palco ou de audição, para falar de qualquer coisa. Para se ver um elefante no seu todo necessário é afastarmo-nos o suficiente, racional, emocional e fisicamente do mesmo. Depois, e com a devida contemplação, alimentada por saberes e provas, olhamos para as coisas de forma mais adequada. Os Fadomorse parecem apresentar uma forma, e um conceito que começa por dar algo de novo ao que existe no nosso burgo. Obrigatório é conhecer Frank Zappa para beber o que neles se apresenta, entre outros, da área da World Music. Isso ajuda a 'desestranhar'. Mais haverá a dizer sobre eles. Bons ou maus, é algo que os gostos não podem discutir. Importa entender sim é o conceito, a mensagem, a forma de estabelecer um código, que mesmo que ultrapassado no Morse se afirma como contemporâneo, e mais do que tudo, criativo, ouso dizer, algo iluminado. Julgo ser necessário, tal como se faz na degustação de um prato, ou na escanção de um vinho, várias vezes levar o garfo à boca, mais o copo aos lábios. Assim é preciso para a música. Tempo, paciência, e acto receptivo digno. O resto virá depois, já que não há nada mal feito, mas sim menos correctamente executado. Voltarei com mais notícias depois de ouvir todos os trabalhos e estudá-los com a atenção que as obras nos devem merecer.
18:00h : Arco da Velha - XV Exposição e Venda de Artesanato | Marmelete
A Junta de Freguesia de Marmelete vai realizar, no dia 27 de JULHO de 2008, a partir das 10 horas, mais uma exposição e venda de artesanato local, sendo esta a 15.ª edição. Ao final da tarde, mais precisamente pelas 18:00, haverá animação musical a cargo...
Hoje quando abri a página fiquei. É pá!
Nem tanto por não gostar da música, que não me diz absolutamente nada, mas por uma forma Kitsch de revisitar e interpretar. Juntar icons - formas, cores e sons - apenas porque se quer, para lhe fazer uns arranjos "porreiro pá" de uma forma que faz recordar nulidades como "Cebola mole" ou "Zé cabra".