Foi com imenso prazer que este vosso cardume nadou às secas terras do Sabugal para inundar uma aldeia histórica de alegria e sorrisos.
Fomos excepcionalmente bem recebidos, como só pessoas autênticas o sabem fazer. Só queremos acreditar que deixamos em troca sorrisos profundos por longo tempo.
Acabaram-se as férias. Regressar ao ritmo monótono dos dias de trabalho urbano e esquecer bailes, concertos e festivais vai ser difícil. Porque não fazer como os camponeses de outrora e ir de pasta na mão, no autocarro, encher os cantos mais bafientos dos nossos gabinetes com belos timbres de cantigas de trabalho?
Perante o meu estado depressivo, já comecei a ensaiar algumas e uma destacou-se no meio de todas.
Ao ouvir esta cantiga tradicional não posso deixar de sorrir ao contraste entre o som de cavar a terra dura e o lirismo doce da letra. Como é que este bando de mulheres persistentes, de sachola em riste, gotas de suor a espreitar em cada poro ainda tem ânimo e energia para entoar uma canção deste teor?
Excitação com a abertura da nova Mango? Crise de ansiedade pela próxima “ladies night”? Não, algo muito diferente: Descobriram o poder da arte. Normalmente as grandes descobertas e avanços na História da Humanidade são feitas nas situações mais adversas. É também sabido que a espécie humana tem como forma de alienação a música, a poesia, a dança e tantas outras formas artísticas.
Para estas mulheres, uma forma de aliviarem as “duras penas” é o canto, canto esse que evoca um baile. Duplo alheamento, portanto. Nem a ceifeira de Pessoa chegou a tanto.
Para quem canta e para quem dança o Tempo é redimensionado. O tempo cronológico suspende-se e nós, quais arquitectos do novo universo recriamos um novo espaço e um novo tempo. O nosso corpo reparte-se pelo espaço ao sabor do desejo de dançar –mais ou menos agitado- e aí concebemos o infinito. Rasgamos o ar, o chão, o salão (e a saia) em busca da libertação do corpo e a explorar o espaço imaginado, que nunca acaba, que é um jogo de cruzamentos com outros corpos aspirantes da mesma liberdade.
Este conceito não é pêra doce, há quem o descubra na Matemática, outros na Religião, infelizmente nunca foi o meu caso.
A minha professora de Matemática (daquela matemática mais abstracta -porque até à escola primária a Dª Alda dava-nos problemas concretos sobre pessoas remediadas-) assustava-nos com o seu assobio de trabalhador de andaime durante os exercícios de gente alguma. E o meu catequista era um talhante que aos Sábados nos dizia que Deus era muito grande e estava em todo lado, entre muitos outros super-poderes, quando num aziago dia de semana, descobri que o meu catequista empunhava facões e machados para esventrar vacas e porcos.
O mundo era muito pequeno: começava no som estridente do silvo da Profª Manuela Borges e acabava na mancha de sangue do avental do Srº Tomé.
Mais tarde o mundo cresceu consideravelmente, enchi-o de palavras, mas sentir o infinito, ah isso, só lá vou com cantigas…
por: Sara Vidal, Voz dos Luar na Lubre e autora do blog Sons Vadios
Júlio Pereira regressa ao mercado discográfico com Geografias, o seu mais recente disco, editado em Junho, onde o músico português reencontra-se com o seu instrumento de eleição: o bandolim.
Longe vão os anos de “Cavaquinho”, “Braguesa” e “O Meu Bandolim”, discos que revolucionaram a estética da música tradicional portuguesa nos anos 1980/90, entre uma vasta discografia, que se estende desde 1971 até aos nossos dias. E é curioso constatar que Júlio Pereira é dos poucos músicos “constantes”, que sempre se caracterizou e distinguiu pelo seu virtuosismo multi-instrumental, emocionando os sentidos mais profundos através do trinar do bandolim, da braguesa ou da guitarra portuguesa, paralelamente à energia rítmica do cavaquinho ou à “irreverência” dos sintetizadores mais contemporâneos.
Em cada passo, em cada dança, somos capazes de viajar, sentir o mundo inteiro num pequeno e fugaz instante. Em cada olhar cruzado, sentimos desejos, transmitimos anseios, em cada toque experimentamos sensações que da nossa pele extravasam, ao ritmo alucinante da música que nos afaga e nos envolve.
Vivemos, sentimos, sonhamos acordados com os pés no chão…junto ao nosso peito, um bater do coração que não é o nosso, marcando o compasso da música que nos envolve, respiração ofegante, inquietude constante…corpo entrelaçado que a noção e o infinito jogo de sedução já não me deixam saber qual dos corpos embriagados é o meu.
Dança comigo….ouve a música…deixa que ela se insinue, desliga-te de tudo em teu redor, sente apenas…deixa que esse ritmo marcado encontre os passos certos, que o teu corpo se deixe levar numa quimera de sedução…e enlaça-me…prende-me junto ao teu peito. Sentes o meu corpo colado ao teu? Nossos corpos que anseiam por expressar a forma mais pura de dizer o que sentem. O que a música os faz sentir…e o que eles sentem na sua ausência…uma dança, uma mazurka, uma noite sossegada, silêncio profundo, no meio da praça junto ao teatro.
A dança já não é só dança, é amor conivente, é a aquela que nos arrasta ao ritmo da paixão e nos leva a desejar loucamente o calor possante do corpo que nos prende...
Aqui há uns anos, era eu um jovem, juntei-me a alguns amigos e começámos juntos o Andanças.
O festival que começou com duas centenas de pessoas, era a realização de uma utopia de cultura participativa, mais do que um festival de dança. As primeiras equipas que organizaram o Andanças eram pessoas que pouco ou nada tinham a ver com a dança, pelo que essa filosofia era intuitivamente assumida por todos; a alegria e energia que nos movia a todos era a de um grupo de amigos que faz algo em conjunto de positivo, de optimista e com a intenção de mudar algumas mentalidades.
A dança foi o pretexto, o meio para atingir outro fim. A finalidade era realizar um evento cultural onde cada um participava activamente, não se limitando a ser o espectador passivo da cultura dos nossos dias.
Relativamente à música e à dança também havia objectivos: queríamos começar em Portugal uma revolução que aconteceu em França, Inglaterra, Irlanda, Itália e Espanha há dezenas de anos e que reinventou a música tradicional (ou se quiserem de raiz tradicional) e lhe deu outra vida. Lá como cá, a dança estava cristalizada nos grupos de folclore e a música estava na memória de muito poucos ou esquecida nas prateleiras bolorentas dos museus de etnografia. Esta revolução “revivalista” como lhe chamam os franceses, passou essencialmente pela recuperação das danças e dos instrumentos tradicionais e pela reinterpretação dos velhos temas tradicionais e composição de novos temas, muitos deles para danças que já existiam.
No blog Crónicas da Terra, especializado em world music, pode ler-se: “Nunca, como agora, estas músicas foram votadasn ao ostracismo pela imprensa nacional musical. Ora porque os jornalistas que realmente se interessavam pelo assunto deixaram de escrever sobre música, ora porque os que estão em actividade já não estão para aqui virados, ora porque as estratégias editoriais das publicações pura e simplesmente ignoram uma das mais profícuas e intensas áreas de edição musical”. Quem o declara é Luís Rei, responsável pelas Crónicas.
20:00h : Føcus Nórdico - Porto
Føcus Nórdico, festival na Casa da Música do Porto com grupos de inspiração na música tradicional em que mistura, este ano, não só experiência e jovialidade lusas, como também propostas do norte da Europa.
"Uma Casa Portuguesa" é o tema deste ano, que...
19:00h : Workshop "Brasil Brincantes"
Workshop com Adriana Gehers sobre os vários ritmos brasileiros, a realizar em 2 dias, 1h30m por dia, no Lugar Presente em Viseu (Companhia Paulo Ribeiro).
08:00h : BAILEBÚRDIA @ AlberCIRCUS - Encontro de Malabarismo
Em Albergaria-a-Velha, o AlbergCIRCUS conta este ano com a presença dos BAILEBÚRDIA...
bolas, massas, sorrisos, lhaços e palhaços são o mote de uma noite para relembrar!
Estão todos convidados!!!
É pra bailar!!!